Governo de Ferreira Leite aprovou 4 linhas de TGV

Rede ibérica. Lisboa/Madrid, Lisboa/Porto, Aveiro/Salamanca e Porto/Vigo aprovadas em 2003

Apesar da contestação aos grandes projectos de obras públicas, o PSD quando esteve no Governo coligado com PP, aprovou o mais ambicioso investimento público em valor e calendário: uma rede de alta velocidade ferroviária (TGV) com quatro linhas para Espanha. Em relação à Ota, o Executivo PSD/PP congelou o novo aeroporto por não o considerar prioritário.

No tempo de António Guterres estavam em discussão duas linhas: Lisboa/Porto/Vigo e Lisboa/Porto/Madrid. Mas na cimeira luso-espanhola da Figueira da Foz em 2003, Durão Barroso e José Maria Aznar aprovaram as ligações Lisboa/Madrid e Porto/Vigo até 2010, Lisboa/Porto até 2013, e Aveiro/Salamanca até 2015. Condicionada a mais estudos ficava a quinta ligação, entre Faro e Huelva. O investimento totalizava nove mil milhões de euros, apenas em infra-estrutura, foi aprovado por proposta do então ministro das Obras Públicas, Carmona Rodrigues. Na altura, Manuela Ferreira Leite era a ministra das Finanças e de Estado, considerada o número dois do Governo liderado por Durão Barroso, e não se lhe conhecem críticas públicas à decisão. Em 2005, poucos meses após a tomada de posse, o ministro das Finanças de José Sócrates saiu do Governo. A oposição pública de Luís Campos e Cunha aos grandes projectos do aeroporto, então na Ota, e à rede de alta velocidade (TGV), foi apontada como a principal razão.

Após chegar ao poder, o Governo socialista avançou com a revisão do projecto herdado da anterior legislatura. Meses antes, o Executivo de Santana Lopes e António Mexia tinha dado luz verde à ligação de TGV Lisboa/Porto, utilizando a Linha do Norte nas entradas às duas cidades, o que tornava o investimento mais económico. O ministério de Mário Lino e de Ana Paula Vitorino abandonou esta opção, preferindo uma linha totalmente nova entre Lisboa e Porto, mais cara. Foi adiada por três anos a data da principal ligação de Lisboa/Madrid e ficaram sem datas as linhas de Porto/Vigo e Aveiro/Salamanca, consideradas não prioritárias. Mais tarde, ficou decidido avançar com uma solução mista para Porto/Vigo. O investimento é de 7,6 mil milhões de euros.

Ler mais

Exclusivos