Futebol sénior regressa a Seia

Renascimento. Cidade da serra da Estrela tinha perdido há mais de dois anos uma das suas modalidades com mais tradições: o futebol. Ironicamente isso aconteceu no momento em que o União tinha garantido a presença na 3.ª divisão. Agora, surge o Seia Futebol Clube. A partir dos distritais, e com a experiência vivida, três dirigentes procuram dar à localidade um novo motivo de orgulho desportivo

Clube tem orçamento de 60 mil euros e as cores da União: azul e vermelho

Mais de dois anos depois Seia volta a ter futebol sénior. Esta modalidade sempre teve grande impacte na cidade e ainda hoje os senenses não compreendem como é que o futebol sénior acabou no momento em que o clube da cidade atingia os campeonatos nacionais de futebol. Tempos que pertencem ao passado mas as semelhanças entre o novo clube, o Seia Futebol Clube (SFC), e o velho, a União Desportiva de Seia são bastantes.

O SFC foi formalmente constituído a 14 de Agosto, no Cartório Notarial de Seia e teve como percursores Hélder Barreira, antigo presidente da União Desportiva de Seia, António Gonçalves e Eduardo Gaspar. São estes homens que lideram a comissão administrativa que ficou encarregue de gerir social e desportivamente o clube. O dia da escritura "coincidiu com o último dia estipulado pela Direcção da Associação de Futebol da Guarda (AFG) para a filiação e inscrição dos clubes para a presente época desportiva, que começa no final deste mês.

"Dispomos de um orçamento de 60 mil euros, maioritariamente financiados pela câmara municipal e iremos ter cerca de 200 atletas a competir nos campeonatos distritais de juniores, juvenis e Taça de Honra", afirma Hélder Barreira. A intenção é "promover o regresso dos nossos jovens que deixaram de ter um clube para a prática do futebol e foram obrigados a procurar clubes em Nelas, Gouveia e mesmo em Oliveira do Hospital", adiantou o dirigente ao DN sport. Habituado às lides desportivas, Hélder Barreira não esconde que o objectivo passa por "voltar a trazer para a cidade a prática do futebol sénior".

O primeiro acto oficial está marcado para amanhã quando o clube comparecer no auditório da AFG para participar nos sorteios dos campeonatos. Posteriormente "será marcada uma assembleia geral, na qual serão eleitos os primeiros órgãos sociais", frisou Barreira.

Os fundadores querem que este seja "um clube ao serviço da juventude senense" e para isso nos estatutos da agremiação, que recupera o nome de um antigo clube da cidade, está escrita a vontade de "desenvolver a educação física e o desporto". O Seia Futebol Clube adoptará como símbolo as cores da cidade, que já eram usadas pela União: o azul e o vermelho.

De acordo com os estatutos, que só serão válidos após a primeira AG, "podem ser sócios pessoas singulares e colectivas que terão a categoria de "fundadores, efectivos, empresas e honorários". Os fundadores serão todos aqueles que "acreditarem no projecto e se inscreverem até à data da realização da primeira assembleia geral". Curioso é o facto de os mandatos coincidirem com as épocas futebolísticas. Serão trianuais com início em 1 de Agosto e término a 31 de Maio.

Agonia e renascimento

O SFC surge dois anos depois de a União ter conquistado o Campeonato Distrital da 1.ª Divisão e garantido o acesso ao Campeonato Nacional da 3.ª Divisão. Mas uma grave crise financeira, que ainda não está resolvida, impediu a cidade da serra da Estrela de ter uma equipa nos nacionais de futebol. Foi em 2006 que a União se sagrou campeã distrital da Guarda. Perante o vazio directivo que se seguiu, o treinador não quis comandar a equipa e esgotou-se o prazo para a inscrição de jogadores. Apesar dos sucessivos alertas de Paulo Bento, o treinador de então, ninguém ajudou o clube. Nesse ano, no jogo de apresentação aos sócios, não compareceu nenhum dirigente. Foi então que Paulo Bento decidiu não treinar. Sem solução directiva, os atletas ficaram livres e o clube entrou no limbo. À época Hélder Barreira era presidente do conselho fiscal e pela segunda vez na história a União deixou os campeonatos. Já em 1997 o clube só manteve as camadas jovens.

Um ano depois, em 2007, a Federação Portuguesa de Futebol proibiu a União de competir em qualquer prova por não ter pago as multas. A União deve à federação mais de sete mil euros porque não pagou as coimas da desistência de participação dos campeonatos nacionais da III Divisão em Seniores, Juniores "B" e Juniores "C" da época de 2006/2007.

Segundo conta Hélder Barreira, "o nascimento da União ficou a dever-se à fusão do antigo Seia Futebol Clube com o Hóquei Clube de Seia". Daí que o regresso do desporto à cidade, o concelho tem apenas uma outra equipa em S. Romão, seja encarado com "muita alegria". Diz o dirigente que "queremos sobretudo um clube novo para a juventude. Que não fique a dever nada a ninguém e que consiga manter os jovens ocupados em actividades saudáveis".

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