A história de Kepler, o defesa que deixou Portugal em êxtase

Selecção. Mourinho pediu a sua contratação mas foi Adriaanse que o colocou no topo

Jogou a avançado na Madeira, treinou em Alcochete mas agora joga em Madrid...

Képler Laveran Lima Ferreira nunca sonhou que um dia chegaria ao topo do Mundo, por ser o primeiro jogador nascido no Brasil a marcar um golo num Europeu de futebol. Képler nasceu em Maceió e tem três irmãs, com as quais tem algo em comum: Karleane, Katiane, Kellyane.

O seu percurso pouco chamou a atenção antes de José Mourinho entregar um documento preparatório da temporada no qual pedia Pepe, porque tinha todas as condições para ser o sucessor de Costinha... na posição de trinco. Pepe, alcunha dada pelo pai Anael, chegou ao Dragão na temporada horribilis do FC Porto pós-título europeu.

Para trás ficava o Napoli - não confundir com o antigo emblema de Diego Armando Maradona -, CRB e Corinthians Alagoano, no Brasil, e o Marítimo em Portugal. Na Madeira, Pepe passou por todas as sensações. Mal chegou teve de parar devido a lesão por seis meses. Nesse período o colega Bragança, com quem dividia a casa, foi o seu apoio moral. Nelo Vingada aposta no miúdo brasileiro, mas seria Anatoly Bishovets a incutir uma mentalidade ofensiva em Pepe. Não raras vezes, o agora central do Real Madrid, jogou a número 10 e a segundo ponta-de-lança. Regressou ao passado e ao eixo da defesa com Manuel Cajuda. Pelo meio esteve pouco mais de uma semana a treinar na Academia do Sporting. Laszlo Bölöni ficou convencido mas Sporting e Marítimo não chegam a acordo. Na temporada seguinte preferiu o FC Porto ao Lyon a troco de um milhão de euros mais Tonel (hoje jogador do Sporting), Ferreira e Evaldo que se vincularam, a título definitivo, ao Marítimo.

No Dragão só na segunda temporada começa a dar sinais de jogador de excepção. Co Adriaanse monta um esquema de três defesas, com dois laterais e Pepe no eixo da defesa. Os dragões foram campeões, venceram a Taça e Pepe era o futebolista mais importante daquela equipa ganhadora porque, no fundo, fazia a posição de dois elementos.

Com Jesualdo Ferreira, Pepe confirma que não era um fétiche de um treinador. Confirma que tinha futebol a mais para Portugal, por isso o Real Madrid 'escandaliza'; o mundo ao pagar 30 milhões. Aqui já Pepe sonhava com a camisola portuguesa e esquecia a do Brasil, que esteve quase a vestir a canarinha pela mão de Ricardo Gomes, técnico da selecção Olímpica nos Jogos de Atenas, em 2004. Um ano antes Pepe foi chamado pelo antigo central do Benfica para disputar dois jogos particulares com o México e o Haiti mas haveria de ver a sua entrada recusada nos Estados Unidos, algo que nunca foi muito bem explicado. Uma coisa é certa. Esse episódio permitiu a este apreciador das roupas de Dolce Gabanna e Roberto Cavali optar em definitivo por Portugal, apesar do conselho de Luiz Felipe Scolari a Dunga (ver capa).

Talvez seja agora a vez do seleccionador nacional agradecer ao antigo médio canarinho. Não só ele como todos os portugueses, espalhados pelos quatro cantos do Mundo, que ficaram em êxtase.

Ler mais

Exclusivos