A CRISE PORTUGUESA

A um ano das eleições, o Governo já tem uma desculpa: "A crise financeira está a chegar a Portugal." Mas Portugal está em crise há oito anos. Desde 2001, Portugal tem crescido a pouco mais de 1% ao ano. Este crescimento é muito inferior ao crescimento dos países que rivalizam com Portugal na União Europeia. No mesmo período, a Grécia e a República Checa cresceram cerca de 4% ao ano, a Eslováquia 6% ao ano e os países bálticos mais de 8% ao ano. No ranking do PIB per capita, Portugal foi ultrapassado pela República Checa em 2005 e este ano vai ser ultrapassado pela Eslováquia e pela Estónia. No ranking de competitividade do Fórum Económico Mundial, Portugal perdeu três lugares e está agora em 43.º lugar num total de 134 países. No ranking da liberdade económica da Heritage Foundation, Portugal está em 53.º lugar, logo atrás do Uganda.

De acordo com o estudo do Fórum Económico Mundial sobre a Competitividade, Portugal tem um mercado laboral pouco flexível, uma administração pública burocrática e ineficiente, um regime fiscal demasiado complexo e maus indicadores macroeconómicos. De acordo com o estudo da Heritage Foundation, os principais obstáculos à liberdade económica em Portugal são o peso do Estado na economia e as leis laborais. Estas debilidades da economia portuguesa não foram criadas pela crise internacional. Resultam de opções políticas feitas em Portugal pelos portugueses. Foram os portugueses que escolheram políticos com uma visão dirigista da economia. Os países da Europa de Leste optaram por impostos baixos e por uma política de laissez-faire. A Eslováquia, por exemplo, adoptou uma flat rate de 19%. A Lituânia tem um imposto sobre os lucros das empresas de 15% e a Letónia não cobra impostos sobre os lucros não distribuídos. Portugal optou por impostos mais elevados (25% sobre os lucros das empresas) e por programas politizados dirigidos por burocratas, como o sistema de projectos de interesse nacional e o choque tecnológico. Os portugueses só têm de se queixar das suas próprias opções.|

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Daniel Deusdado

Começar pelas portagens no centro nas cidades

É fácil falar a favor dos "pobres", difícil é mudar os nossos hábitos. Os cidadãos das grandes cidades têm na mão ferramentas simples para mudar este sistema, mas não as usam. Vejamos a seguinte conta: cada euro que um português coloca num transporte público vale por dois. Esse euro diminui o astronómico défice das empresas de transporte público. Esse mesmo euro fica em Portugal e não vai direto para a Arábia Saudita, Rússia ou outro produtor de petróleo - quase todos eles cleptodemocracias.