Hot Clube cumpre hoje 60 anos e prepara um museu e uma editora

É o mais antigo espaço dedicado ao jazz em Portugal e, sem ficar preso a um passado glorioso, promete estimulante actividade para o futuro mais próximo. Com a agenda para 2008 totalmente preenchida e projectos de expansão em andamento, o Hot Clube de Portugal cumpre hoje 60 anos. Há 54 mora numa cave escura no número 39 da Praça da Alegria, em Lisboa. Hoje recebe a medalha de honra da Câmara Municipal de Lisboa (CML) pelo seu papel na na divulgação, defesa e difusão do jazz.

Depois de Frank Gehry ter sido afastado da remodelação do Parque Mayer, uma mudança do Hot Clube para novas instalações tornou-se hipótese inviável. Em 2008, o espaço aberto por Luís Villas-Boas em 1954 (seis anos depois do fundador do Hot Clube ter preenchido a ficha de sócio nº1) revela agora novas ambições. Luís Hilário, programador e director artístico, afirma ao DN que "a CML, proprietária do edifício na Praça da Alegria, autorizou a criação de uma Casa do Jazz nos andares superiores", com o espólio museológico do Clube. Resta agora encontrar "parceiros financeiros que possibilitem a sua recuperação", avaliada em cerca de um milhão de euros.

Além das transformações no espaço - Luís Hilário fala também de um alargamento do próprio clube, através da possível utilização de uma cave adjacente -, o Hot Clube promete lançar-se no mercado discográfico. Bernardo Moreira, presidente da instituição, revelou que a vontade do Hot Clube é editar concertos gravados na sala lisboeta. "Estamos a ver se conseguimos pôr de pé essa etiqueta, que se irá chamar Live At Hot Clube, e temos já três ou quatro coisas gravadas", adiantou Bernardo Moreira em entrevista à Lusa.

Lembrando um percurso de 60 anos, Luís Hilário recorda a importância do Hot Clube na "motivação musical e na formação do jazz em Portugal". E recorda que este é um nome reconhecido internacionalmente, sobretudo nos circuitos americano e europeu. Ainda em Março e são já "inúmeros os pedidos de agendamento de concertos para o próximo ano", com um 2008 preenchido. Seguindo o principal estatuto lançado na altura da sua fundação, o Hot Clube continua a a ter como princípio a "divulgação do jazz", com nomes portugueses como prioritários. Não só por um sentido "patriótico" mas também pela "qualidade dos músicos e por razões económicas". De acordo com Luís Hilário, as "finanças" continuam a ser a maior dificuldade. "Somos um clube e os sócios são o nosso grande apoio. Quando temos um artista estrangeiro a tocar temos que entregar 25% do seu caché ao Estado. Os objectivos comerciais continuam muito distantes", diz.|

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