Do mundo para Lisboa

Nuno Krus Abecasis. Ex-autarca de Lisboa tinha ascendência judaica da parte do pai e dinamarquesa da parte da mãe

Quando se comemoram 20 anos sobre o incêndio do Chiado, recordamos o engenheiro Nuno Krus Abecasis, então presidente da Câmara Municipal de Lisboa, cujas decisões se prolongaram para além do seu mandato, dando uma nova cara àquela parte histórica da nossa capital.

Nuno Krus Abecasis nasceu em Faro a 24 de Outubro de 1929, sendo dos mais novos de oito irmãos. Aos nove meses veio para Lisboa, onde viria a crescer e formar-se em engenharia civil pelo Instituto Superior Técnico. Iniciou a actividade política em 1974. No ano seguinte aderiu ao CDS, partido de que foi destacado dirigente. Em 1978 exerceu as funções de secretário de Estado das Indústrias Extractivas. Em 1979 foi eleito por maioria absoluta 61º presidente da Câmara de Lisboa, cargo que renovou nas eleições de 1985 e manteve até 1989. Os dez anos de comando nos destinos da cidade coincidem com a entrada de Portugal na CEE e numa renovação urbanística notável, construções de habitação social (iniciaram-se cerca de três mil fogos), soluções de problemas de trânsito e posições políticas firmes com consequências para a vida da cidade. Foi uma época de grandes projectos, de construção de novos espaços comerciais, de demolição ou transformação de edifícios e espaços públicos, de relançamento de manifestações culturais urbanas.

Do seu casamento com Raquel Ferreira Castela, Nuno Abecasis teve seis filhos. Faleceu em 1999.

Os seus pais eram lisboetas: Duarte Monteverde Abecasis, nascido em 1892, também foi engenheiro civil, director das Obras dos Portos de Lagos, Vila Real de Santo António, Faro, Olhão, Barra de Aveiro, director-geral do Serviço Hidráulico e Eléctrico, secretário-geral do Ministério das Obras Públicas, presidente do Conselho das Obras Públicas e procurador à Câmara Corporativa. Casou em Lisboa, em 1916, com Maria Amélia Krus, filha de Carlos Krus, director da Companhia Carris de Ferro, e de sua mulher Josefa Paula Perez y Mendes, nascida em Madrid.

A família Krus era de origem dinamarquesa, tendo vindo para Portugal na pessoa de Francisco Krus, de Altona, que casou no início do século XIX com Joana Pacheco de Miranda. Deles foi filho outro Carlos Krus, banqueiro, cônsul-geral da Áustria, que casou com Elisa Ferreira, senhora viúva, sogra do primeiro conde de Burnay. Destes foi bisneto o engenheiro Nuno Abecasis.

Foram seus avós paternos José Abecasis, também engenheiro civil, nascido em Vila Real de Santo António, e sua mulher e prima Anaïs Virgínia Abecasis Monteverde, nascida em Lisboa, filha do escritor e diplomata Alfredo Monteverde, major, do conselho do Rei, fidalgo cavaleiro da Casa Real, e de sua mulher Carlota Emília Abecasis, natural de Gibraltar. A família Monteverde tem origem italiana, da Ligúria, de onde veio em 1798 João José Maria Monteverde com seu filho Francisco Nicolau Monteverde, pai do escritor Emílio Monteverde, diplomata, que casou em 1825 com Carlota Brandão e Sousa, irmã do 1º barão da Folgosa. Estes são trisavós do ex-autarca de Lisboa.

Foi seu bisavô paterno Joseph Abecasis, engenheiro de religião hebraica, nascido em Gibraltar em 1841, que casou em Portugal com Rosália Torcato Ribeiro. Era filho de Salomão Abecasis, de Gibraltar e de sua mulher Ana Navarro Cohen, de Cádis, e irmão da referida Carlota Emília Abecasis. |

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