Depilações a laser sem regulamentação e controlo

Estética. Uso do laser ou luz pulsada para remover os pêlos de forma permanente é uma actividade que pode ser feita por esteticistas ou dermatologistas. O risco de queimaduras ou cicatrizes leva os médicos a defender que técnica fique apenas sob a sua alçada. A ASAE só actua depois de uma queixa

Deco recebeu 19 queixas, desde 2005

Com o Verão à porta, são muitas as pessoas que procuram a depilação a laser ou a luz pulsada, tratamentos que podem ser feitos por esteticistas ou dermatologista. Uma realidade criticada por estes médicos, que, dados os riscos inerentes aos tratamentos - a Deco recebeu várias queixas de queimaduras -, entendem que esta devia ser uma actividade da sua exclusividade. A verdade é que a ausência de regulamentação neste sentido abre a porta do negócio aos esteticistas e não há quem fiscalize a formação dada a estes profissionais. Isto porque a ASAE - entidade que fiscaliza as actividades económicas - só actua perante denúncia ou queixa, depois de verificar os livros de reclamações ou numa operação especial.

"A ASAE não fiscaliza a habilitação profissional para manusear os lasers ou luz pulsada, porque não existe legislação para isso", reconhece ao DN fonte do organismo.

A falta deste controlo leva Osvaldo Correia, da Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC), a defender que aqueles tratamentos não devem ser feitos por esteticistas. No entanto, o presidente da Associação Ibérica de Laserterapia e Tecnologias Afins (Altec), António Lúcio Baptista, explica que "não existe legislação" que proíba esteticistas de usar o laser ou luz pulsada. "Existe apenas um decreto-lei do Ministério da Economia que regula a importação dos equipamentos e uma directiva comunitária sobre as normas de segurança [que devem ser seguidas por quem usa os equipamentos e o utente]", revela. O mesmo especialista lembra ainda que também nos restantes países europeus não há regulamentação do sector, pelo que todos seguem aquela directiva.

Formação

Antes de usarem os aparelhos, os esteticistas recebem formação da empresa que vende o equipamento - dada por físicos, engenheiros e enfermeiros especializados. E esta formação pode durar apenas uma tarde. Mas Margarida Silva, que faz depilação a laser, revela ao DN que teve formação durante duas semanas nos EUA e na Alemanha. Os esteticistas recebem um certificado e assinam um termo de responsabilidade.

Dermatologistas mais caros

"Em Portugal, não existe a definição dos tratamentos que só os médicos podem fazer", alerta ao DN o dermatologista António Pinto Soares. O que provocou mesmo, na sua opinião, "uma explosão de pessoas sem formação [médica] que faz depilações a laser".

Para o presidente da APCC, António Picoto, as pessoas recorrem mais aos esteticistas porque "o serviço é mais barato". A depilação a laser nas axilas demora seis sessões e custa, na clínica deste dermatologista, 160 euros por sessão. A depilação a luz pulsada na mesma zona, num centro de estética, demora um ano e meio e custa 80 euros por sessão.

Os clientes insatisfeitos e que sofreram queimaduras contactam a Deco (Associação Portuguesa de Defesa do Consumidor). Desde 2005, a Deco recebeu 19 queixas relativas a depilações a laser. "São reclamações de pessoas que sofreram queimaduras ou ficaram com hematomas ou feridas", explica Graça Cabral.

Na Net, os testemunhos dirigem-se a apenas uma clínica - a Corporación Dermoestética - e a um método - a fotodepilação médica. "Como temos muitos clientes, estamos mais na boca do povo", é assim que fonte da Corporación justifica a prevalência de queixas contra a instituição, que garante que são médicos que fazem a fotodepilação.

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