Crise aumenta recurso ao cobrador do fraque

Crédito. Empresas de cobrança de dívidas sem legislação específica

Numa altura em que a crise faz apertar os cintos das famílias portuguesas, o número de dívidas dispara. Os métodos tradicionais de cobrança já não são suficientes e, por isso, o recurso aos chamados "cobradores do fraque" surge como uma via para recuperação dos créditos.

As empresas especializadas em soluções de crédito e cobrança sentem uma explosão na procura. Fernando Pereira Brites, advogado da empresa Senhores do Fraque, integrada no Agrupamento Complementar de Empresas do Grupo Fraque (ACE), diz que, "antes, o acumulado de contratações de alguns meses dava um total de alguns milhões de euros. Hoje chegamos a ter pedi- dos na ordem dos 500 mil euros por dia". São sinais do endividamento, agravados pelas grandes quantidades de crédito que os bancos concedem, por exemplo, para a habitação, mas também pela falta de legislação neste sector.

A adesão a este tipo de actividade é cada vez maior. Contudo, é ainda um sector sobre o qual o Estado não se debruça. "Estávamos à espera que saísse em Outubro do ano passado o regime jurídico para o sector das finanças, mas ainda não saiu nada. Há uma expectativa grande para esta legislação porque vai traduzir-se numa maior responsabilização das empresas". É preciso que o seu papel fique definido e não seja sinónimo de medo e sentimentos negativos.

Actualmente têm o estatuto jurídico de uma empresa normal. "Na maioria dos países desenvolvidos há legislação e estas empresas operam com outros sectores de actividade como tribunais e advogados".

O seu modus operandi é-nos familiar e procuram sempre que a cobrança seja feita de forma pacífica. Há valores a defender, e, salvo algumas situações de excessiva teimosia, os resultados são conseguidos sem grandes dificuldades. Aceitam exclusivamente dívidas concretas que sejam exigíveis e líquidas, justificadas com toda a documentação existente. Para Francisco Pereira Brites, "tem de haver algum controlo interno para que não se chegue à dívida moral. A situação tem de ser mesmo real". Quanto à duração do processo de cobrança, esta oscila consoante os casos, dependendo muito da mentalidade do devedor.

Associado à visita de um homem do fraque está o receio a alguma exposição. "Procuramos ser discretos, mas se as pessoas não reagem ao contacto inicial para pagamento das dívidas e oferecem resistência, aí vamos escolhendo, em proporção, as medidas necessárias para resolver o problema", diz Pereira Brites. Os cobradores que andam na rua têm formação jurídica e sabem até onde podem ir dentro da observância da lei, para não haver violação de valores. Quem os "recebe" sente medo ou vergonha dos vizinhos e amigos porque é uma denúncia à comunidade das condutas de alguém. |

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