'Operação Furacão' apanha duas empresas-modelo

A Iberomoldes, do empresário e ex-deputado do PS Henrique Neto, e a Rui Costa Sousa & Irmão, que comercializa a conhecida marca Sr. Bacalhau, foram alvos de busca no âmbito da "Operação Furacão". Ambas as empresas estarão indiciadas da prática de fuga e fraude fiscal e de branqueamento de capitais.

A busca na Iberomoldes, sediada na Marinha Grande, decorreu na terça feira da semana passada, com a Direcção Central de Investigação e Acção Penal, DCIAP - liderada por Rosário Teixeira, na dependência de Cândida Almeida - a suspeitar da utilização de off-shores para criar serviços fictícios de forma a adulterar os resultados económicos. A investigação está centrada na eventual sobre-facturação, emitida por sociedades fantasmas, elevando custos fantasmas. Também uma filial da Iberomoldes, a Ibero Olef, em Pombal, terá sido alvo de buscas da brigada mista de inspectores judiciais e fiscais.

Henrique Neto, também vice-presidente da Associação Industrial Portuguesa (AIP), já há duas semanas tinha criticado o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, João Amaral Tomaz, por referir, no Parlamento, que algumas das mil maiores empresas estavam envolvidas em fraude fiscal. "Se as grandes empresas fogem ao fisco é porque o Governo tem deixado", referiu.

O DN tentou obter uma reacção do dono da Iberomoldes, considerada uma empresa-modelo, o que não foi possível até à hora de fecho desta edição .

A empresa de ultracongelados Sr. Bacalhau também não escapou às investigações. Ao DN, a Rui Costa Sousa & Irmãos confirma a presença da brigada criminal nas suas instalações de Tondela, sede da empresa. "A nossa empresa, bem como outras sediadas na Gafanha da Nazaré", afirma fonte da firma, "foi alvo de uma diligência processual, dirigida por um senhor procurador".

A empresa, que recebeu a visita do secretário de Estado da Agricultura e Pescas, Luís Vieira, em Maio último (ver caixa), estará indiciada de "práticas de fraude fiscal e branqueamento de capitais", de acordo com a investigação. "Não fomos informados ou acusados de quaisquer actos que consubstanciassem os crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais", afirma a Rui Costa Sousa & Irmãos.

A equipa de inspectores suspeita que a firma terá defraudado os cofres fiscais em mais de cinco milhões de euros, para além de supostas operações de "branqueamento de capital", apurou o DN. Os "veículos" utilizados para alegadas práticas de fuga ao fisco terão sido, mais uma vez, as off-shores , em conjunto com facturas falsas. Existem, dizem os inspectores, indícios de que estes serviram para empolar custos nas contas da sociedade.

Com dois anos de existência, a "Operação Furacão" já conta com mais de 200 arguidos, após as buscas efectuadas à banca - BCP, BES, BPN, Finibanco - e a escritórios de advogados. O Procurador Geral da República admitiu a existência de mais de dois milhões de documentos e 25 computadores apreendidos e na investigação, para além da equipa criminal, estão envolvidos "25 dos melhores inspectores" da administração fiscal, de acordo com João Amaral Tomás, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais.|

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