"Morar na Ajuda é viver no inferno"

"Morar aqui e trabalhar aqui é do pior que pode acontecer a uma pessoa", confessou ao DN uma mulher ao balcão de um snack-bar no Casalinho da Ajuda, em Lisboa. Queixa-se que na freguesia "falta polícia e cada vez há aqui mais droga, mais armas e assaltos. Na semana passada até tiros houve".

Um dos casos mais recentes ocorreu na madrugada de sábado, quando um homem estacionava o carro e foi abordado por outro que o ameaçou com uma chave de fendas e o obrigou a circular pela zona durante cerca de meia hora até ser interceptado e detido por agentes da PSP.

O detido, de 40 anos, reside no Casalinho da Ajuda, bairro onde a insegurança "tem aumentado muito desde que realojaram aqui ciganos e africanos. Andam sempre à guerra e aos tiros uns com os outros e assaltam as pessoas. Os mais idosos até têm medo de sair à rua, mesmo durante o dia", contou ao DN uma moradora, que se recusou a revelar o seu nome, por recear ser depois agredida por alguém.

Lembra que "antes o Casalinho da Ajuda era um bairro calmo e onde se estava bem. Agora, as pessoas já não aguentam. Estão constantemente a chamar a polícia para vir pôr ordem nisto. Mas faltam polícias".

Outra vizinha considera que "isto está de mais. É um autêntico gueto. Por isso, os que podem vão saindo daqui para outros sítios. Os outros têm de se ir aguentando, mas não é fácil".

À conversa junta-se outra moradora, que, apontando para um estabelecimento comercial, diz que "já foi assaltado mais que uma vez. Arrombaram a porta e partiram os vidros da montra várias vezes". E acrescenta: "A dona do bar até evita vender bebidas alcoólicas para depois eles não acabarem todos à pancada."

Adianta que "à noite fazem aqui tanto barulho que as pessoas nem conseguem dormir". E lembra que "no fim do ano isto tremia com tantos tiros que deram para o ar".

Empurrando um carrinho de bebé, uma jovem explicou que "as crianças nem podem ir para o jardim, porque aquilo é um perigo. Está cheio de marginais". Na sua opinião, "isto é muito mau, porque as crianças crescem no meio da violência e assim só aprendem a ser também violentas".

Defronte do cemitério da Ajuda, uma moradora da freguesia conta que "no Bairro 2 de Maio fazem muitos assaltos. É ali que vendem droga e os consumidores ficam à esquina a assaltar as pessoas para depois terem dinheiro e ir comprá-la".

Apontando para o Bairro das Açucenas, junto ao cemitério, salienta que "está ali há anos um espaço grande para uma esquadra da polícia, mas nunca mais abre". Mesmo ao lado, "vários apartamentos são constantemente assaltados. Um já foi assaltado umas três vezes".

Na mesma zona, outra residente observou que "muitas senhoras vêm para aqui de carro, saem e deixam ficar lá dentro a mala. Dizem que não faz mal, porque só vão num instantinho ao cemitério. Depois, quando voltam, desatam a queixar--se que arrombaram as portas ou partiram os vidros do carro para lhes roubarem as malas. E atiram sempre a culpa para cima dos ciganos".| Com ANA MAFALDA INÁCIO

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