Um 'site' onde se volta a ser criança

Alguns adultos adormeciam com os desenhos animados dos Meninos Rabinos, outros do Chico Escuro, os mais novos ainda com o Vitinho. E quem já não se lembra desses programas da televisão - ou da publicidade do restaurador e petróleo Olex, dos sapatos climatizados Campeão Português, da Bic laranja e Bic cristal - pode agora recordar os seus tempos de meninice num site da Internet chamado Mistério Juvenil.

Naquele endereço cibernético (www.misteriojuvenil.com) há genéricos de séries como Bonanza ou Sandokan; anúncios a preto e branco do detergente Ajax, do Leite de Colónia, dos refrescos Royal; revistas do Clube Pirata, decalcomanias Kalkitos, horários escolares da Toddy; cadernos, tabuadas, estojos de lata com aguarelas.

O autor da ideia, Paulo Ferreira, que só tem 35 anos, foi juntando este espólio quando nem se suspeitava que, um dia, seria possível divulgar esta nostalgia na Internet. Além do vício das gravações, que lhe foi transmitido pelo pai, este neto de um sucateiro-farrapeiro, na Feira da Vandoma do seu Porto ou na da Ladra de Lisboa, entre outra quinquilharia da memória, foi comprando latas de filmes amadores (super 8 ou 35mm) ou cassetes com gravações de programas de televisão. E, no meio das fitas, descobre, por exemplo, o eng. Sousa Veloso no TV Rural ou publicidade aos caldos Maggi.

Licenciado em Comunicação Audiovisual pelo Instituto Politécnico do Porto e repórter de imagem free-lancer, começou por instalar uma página no (já extinto) projecto Terravista, em Dezembro do ano 2000. Na altura, resumia-se a capas dos livros juvenis da série Três Investigadores, em que o autor Robert Arthur junta três jovens e Hitchcock, e dos escritos por Enid Blyton. Entretanto, desenvolvia o seu outro site, o Clássicos da Rádio.

Até que, em Março de 2005, avançou para o projecto actual "de reviver a infância" e, em seis meses, recebeu e-mails de 1200 visitantes. "As pessoas são saudosistas. Uma dizia-me que tinha chorado; outra reuniu a família toda para ver; uma outra, entretida a clicar, só se foi deitar às sete da manhã", conta ao DN.

Cada geração televisiva pode ir procurar o que viu na infância - as músicas da Heidi e dos Marretas e do Topo Gigio, os genérico dos Marco, do Dartacão e da Rua Sésamo -, pois o único critério do autor do site é não ter nada com menos de dez anos.

Mas ainda falta muita coisa. "Só lá estão uns 80 anúncios dos 300 que tenho", revela. Entre as novidades, tanto pode surgir publicidade a marcas de cigarros desaparecidas (Porto, Sintra, Coimbra), velhas BD (Senhor Doutor, Cavaleiro Andante, Mundo de Aventuras) ou a caderneta de cromos dos rebuçados Vitória, em que os mais difíceis de obter (os "carimbados") eram o cabrito, o bacalhau e a cobaia. |

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