Luís Bernardo Incapaz de compreender o jornalismo sem o ligar a interesses

Dos dois assessores de imprensa de José Sócrates, Luís Bernardo, 41 anos (cumpridos quarta-feira), ex-jornalista, é o efusivo, o que ri e troca anedotas, o que se dá mais ao convívio, enfim, exagerando, o folião. Tendo sido jornalista, trouxe para a função de assessor de imprensa toda a sua experiência enquanto tal, como o fazem a maior parte dos assessores de imprensa. Mas a verdade é que antes do jornalismo e antes da assessoria de imprensa já andava na política. É militante do PS (secção de Queluz, Sintra) desde 1987. Dirigiu durante a associação de estudantes da secundária de Queluz. Chegou mesmo a representar a JS no Conselho Nacional da Juventude. Por inerência dessa função, teve assento na direcção da JS, então liderada por António José Seguro.

Luís Bernardo acabou por ser jornalista de forma relativamente ocasional. Entrou na TVI, no princípio dos anos 90, para escrever guiões. Mas acabou na redacção. O seu director de informação do (então) "canal da Igreja", era o padre António Rego. Foi na TVI que se cruzou com Pedro Silva Pereira, hoje ministro da Presidência, na altura editor da secção da política (e que chegou à estação pelos circuitos católicos). A certa altura, já com Artur Albarran como director de informação, integrou a equipa que investigava o caso Camarate. Pediu - segundo diz - para ser afastado quando "começaram as coboiadas". As "coboiadas" eram um jornalismo totalmente dedicado a confirmar uma tese (no caso: o atentado). Hoje, como qualquer político no activo, é incapaz de compreender o jornalismo sem o ligar a interesses políticos. Há quem não se tenha esquecido de o ver acusar jornalistas de estarem a fazerem fretes ao PSD por, na visita de Sócrates à China, estes quererem ouvir o primeiro-ministro comentar as inconveniências de Manuel Pinho sobre o trabalho barato em Portugal.

Em 1997 deixa o jornalismo. Vai para assessor do ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho. Aguenta-se dois anos no posto - mas voltaria a cruzar-se com Carrilho. Depois, em 1999, ascende à condição de assessor do primeiro-ministro, António Guterres, com quem fica até ao fim (2002). Sempre se manteve, aliás, como uma espécie de assessor informal de Guterres, mesmo quando este deixou o Governo. Ajudou-o, por exemplo, na operação que levou o ex-PM a alto- -comissário das Nações Unidas para os Refugiados.

Depois vem o pequeno deserto 2002- -2005, quando o PS passa para a oposição e o país é governado pela aliança PSD-CDS. Bernardo obteve um lugar de luxo, no hemisfério privado, no Grupo SAG, do multimilionário João Pereira Coutinho. E em 2005, tendo o PS regressado ao poder, regressa ele próprio à assessoria política, primeiro com o ministro Silva Pereira, depois transitando para o gabinete de Sócrates (com quem, aliás, já tinha feito a campanha eleitoral). No final de 2005, foi chamado de emergência para dirigir a campanha, já totalmente em perda, de Manuel Maria Carrilho à Câmara de Lisboa. Evidentemente, não fez milagres, obtendo um resultado historicamente negativo: 26,5 por cento, menos 16 por cento que o vencedor, Carmona Rodrigues. Diz que foi a primeira campanha que perdeu. Mas a verdade, também, é que foi a primeira que dirigiu.

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