Líbia utilizou tortura no caso das enfermeiras búlgaras

Líbia utilizou tortura no caso das enfermeiras búlgaras

Filho de Kadhafi afirma que tudo não passou de um "jogo imoral"

As cinco enfermeiras búlgaras e o médico palestiniano, detidos na Líbia desde 1999 sob acusação de terem infectado centenas de crianças e libertados a 24 de Julho, foram submetidos a choques eléctricos, admitiu ontem Saif al-Islam, o filho do dirigente máximo líbio, coronel Kadhafi, numa entrevista à Al-Jazeera.

"De facto, foram torturados com electricidade e também ameaçados de que as suas famílias poderiam sofrer represálias. Mas muito do que o médico diz não passa de mentiras", explicou Al-Islam, referindo-se a alegações do palestiniano naturalizado búlgaro, de que lhe teriam atiçado cães, aplicado eléctrodos nos órgãos genitais, além de ter sido drogado.

As enfermeiras e o médico faziam parte de um grupo de 23 búlgaros detidos em Fevereiro de 1999 no porto de Bengazi sob acusação de terem operado transfusões de sangue infectado com sida a 400 crianças. As cinco enfermeiras e o médico acabaram por ser julgados e condenados à morte em 2005. Os acusados sempre afirmaram a sua inocência, sendo o mais provável que, segundo especialistas, as infecções que causaram a morte de 56 crianças se devam a falta de higiene no hospital de Bengazi.

Numa outra entrevista, à edição desta semana da revista Newsweek(ver caixa), o filho do líder líbio reconheceu que as investigações foram feitas de forma irresponsável e que tudo se tornou "num jogo imoral" de chantagem entre líbios e europeus.

À Newsweek, Saif al-Islam admitiu ter havido negociações e contrapartidas, entre as quais o perdão da dívida líbia por vários países europeus, além de um total de 700 milhões de euros em compensações monetárias ao hospital de Bengazi e às famílias das vítimas, além de Tripoli ter negociado a aquisição de "um reactor nuclear francês, muito potente e muito dispendioso".

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