Gémeos com carreiras lideradas pelo futebol

Irmãos Xavier falam das suas carreiras e do futuro

Nasceram em Moçambique e o desporto sempre esteve presente nas suas vidas, mas foi no futebol que os gémeos se destacaram. "Fizemos todo o tipo de desporto: natação, judo, hóquei em patins, mas o basquetebol era o que mais jogávamos, quando vivíamos em Moçambique", revela Carlos Xavier.

O gosto pelo futebol nasceu com eles mas apenas quando chegaram a Portugal, aos 12 anos, é que Carlos e Pedro ingressaram no mundo do desporto-rei. O pai levou-os ao Casa Pia, onde permaneceram até aos juvenis.

A ida para o Sporting concretizou-se de uma forma inesperada: " Estávamos na praia com uns amigos e lemos num jornal que ia haver treinos de captação no Sporting. Entrámos no comboio e fomos até lá, éramos sete amigos. Quando chegámos estavam lá mais de 300 miúdos a espera de uma oportunidade", relembra Carlos.

Esta foi uma oportunidade desperdiçada por Pedro e que poderia ter mudado o rumo da sua carreira. "O Pedro foi até o bar e pediu-me para avisá-lo quando viessem chamar para o teste, mas, quando o treinador chegou e vi milhares de miúdos à porta, nem pensei mais no Pedro. Se fosse chamá-lo nem eu nem ele treinávamos", explica Carlos. Pedro devia ter regressado então no dia seguinte, uma vez que Carlos tinha sido aprovado no teste e tinha falado do irmão, mas não quis: "Agora arrependo-me, certamente teria mudado a minha carreira, mas, por amor à camisola, resolvi ficar no Casa Pia e perdi um ano no Sporting."

Pedro foi no ano seguinte para os leões, onde viria a ser o melhor marcador da equipa, contudo não foi contratado. Ingressou então no Estoril, passando depois pela Académica, Estrela da Amadora, Campomaiorense, Barreirense, Olivais e Hong Kong. " Desde que começámos, fizemos a carreira desportiva sempre juntos. A partir do Sporting separámo-nos", conta Carlos.

Mais tarde, os irmãos Xavier encontraram-se novamente: "Cheguei ao Sporting em 1976, em 1987 fui para a Académica, pois tinha o sonho de jogar ao lado do meu irmão. Tinha propostas de outros clubes mas escolhi jogar com ele." Após um ano, Carlos regressaria ao Sporting, experimentando depois uma experiência de três anos no estrangeiro. "Jogar no Real Sociedade [Espanha] foi incrível. Na altura aquele era o melhor campeonato da Europa", diz

Porém, o amor pelos leões falou mais alto e Carlos regressou a Alvalade. " Só saí do Real porque era para voltar para o Sporting", revela.

E foi por esse amor ao clube de Alvalade que Carlos viria a abandonar precocemente o relvado, aos 34 anos: "Tinha propostas para jogar em outros clubes, mas optei por parar. Em Portugal contra o Sporting não conseguiria jogar".

Carlos apenas se arrepende de um momento na sua carreira: não se ter fixado numa única posição. "Como jogador adaptava-me a qualquer posição. Para o treinador era bom, mas para mim não foi. E eu gostava muito de jogar no meio- -campo."

Quando a carreira de profissional de futebol terminou, os gémeos experimentaram a de treinador. Enquanto Carlos foi adjunto de Litos no Estoril, Pedro treinou o Olivais de Moscavide, Alcochete e Fontainhas.

Hoje, Carlos Xavier tem uma escola de formação no CIF e outra na Beloura, em parceria com o Sporting, enquanto Pedro é sócio e relações públicas do Restaurante Marginali, em São João de Estoril.

Nos tempos livres, Carlos descobriu, há cinco anos, uma nova paixão: o golfe. "Se soubesse o gozo que é o golfe, já teria jogado antes. A nível mental e para relaxar é o ideal para um futebolista." Já Pedro, nos tempos livres, gosta de pescar: " Quando trabalhei na praia tinha as tardes livres e dediquei-me à pesca."

Ambos têm uma paixão em comum: a cozinha. "Despendo muitas horas na cozinha, quase sempre sou eu que faço o jantar", revela Carlos.

Como todos os gémeos, estes também pregaram algumas partidas: "Quando estava no Sporting, fui a um torneio em França, e como não podia dar mais faltas o Pedro foi à aula de desenho por mim. A verdade é que a professora não percebeu nada."

Carlos e Pedro continuam unidos no futebol, mas, desta vez, na areia. Os manos representam o Sporting no futebol de praia, porém, ambos desejam voltar um dia a treinar: Carlos gostaria de ser treinador das camadas jovens do clube de Alvalade ou da selecção, enquanto Pedro queria liderar uma equipa fora do País.

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