Fim dos intermediários reduzirá custos de operação de hélis 'Merlin' para metade

Os elevados custos de operação e manutenção dos helicópteros EH101 Merlin, estimados em cerca de nove mil euros por hora de voo, serão reduzidos a cerca de metade quando for eliminada a rede de intermediários ligados a esse programa de reequipamento militar, afirmaram ao DN altas patentes da Força Aérea Portuguesa (FAP).

O valor real daqueles custos associados ao EH101 continua a ser um segredo, explicável em parte por a FAP ainda não ter experiência acumulada na sua utilização. Mas um alto responsável militar revelou ao DN que o custo da hora de voo daqueles hélis rondava os nove mil euros. Esse valor exorbitante - embora normal num aparelho que é considerado o Rolls Royce dos helicópteros e cujo modelo foi escolhido para transportar o Presidente dos EUA - apanhou de surpresa os responsáveis políticos e militares porque o fabricante, Agusta-Westland (AW), garantiu (na fase final do concurso e quando havia outro concorrente em cima da mesa, o Sikorsky norte-americano), que custaria cerca de 2000 euros à hora.

"Era menos do que os [velhinhos] Puma" que iam substituir, disse uma das várias fontes ouvidas pelo DN. O problema, segundo as altas patentes da FAP atrás citadas, é que "não é possível, em termos jurídicos", responsabilizar a AW pela enorme diferença de custos (propostos e reais).

O que se sabe é que os custos reais de operação dos Merlin, a par do atraso na elaboração dos contratos de manutenção com a empresa Defloc (ligada à celebração dos contratos de compra do EH101 em regime de leasing operacional), obrigou o Governo a reservar verbas da Lei de Programação Militar - exclusivamente destinadas aos programas de modernização das Forças Armadas - para pagar a utilização daqueles helicópteros. E que só num exercício militar realizado já no fim de 2006 foi empregue, pela primeira vez, como meio de transporte de tropas.

Sobre os custos dos EH101 operados por outros países, nomeadamente o Canadá, as fontes da FAP disseram não ser possível traçar paralelismos, tendo em conta as diferentes condições de utilização. O que acreditam é que, a prazo, "é possível reduzir os actuais custos para valores da ordem dos 1600 a 1800 euros por hora de voo" - embora só dentro de meses possam ter um valor real dos custos de operação dos aparelhos portugueses.

O chefe do Estado-Maior da Força Aérea, general Luís Araújo, ao abordar há dias o assunto em conversa com alguns jornalistas no seu gabinete, disse existir com a AW um contrato de manutenção por seis meses e prorrogável por mais seis, findo o qual deverá iniciar-se um contrato de longa duração. A prazo, "gostava que a manutenção ficasse na [empresa portu- guesa] OGMA. Mas quem sabe dos hélis é a AW, pelo que nos próximos dois a três anos" deveria ter a seu cargo a responsabilidade pelos EH101, explicou. Nesse período, acrescentou, deveria "subcontratar a OGMA" para que pudesse ser esta empresa a ficar depois com aquela tarefa.

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