Atmosfera artificial 'dá' prémio nos EUA a investigador do IST

Como criar uma atmosfera artificial para proteger satélites ou naves do vento solar? Esta é uma pergunta que a ciência investiga há vários anos e que agora contou com uma contribuição de um investigador português. Luís Gargaté, do Instituto Superior Técnico (IST), foi premiado nos Estados Unidos pela realização de um filme de simulação numérica que mostra o comportamento dessa atmosfera artificial. "É um pequeno passo para a sua criação", afirmou ao DN o investigador, que se encontra actualmente a fazer um doutoramento em física dos plasmas.

Na 20. ª Conferência Internacional de Simulação Numérica de Plasmas, realizada em Austin, Luís Gargaté conquistou o Prémio Oscar Buneman de melhor visualização científica, na categoria de animação, com um filme de uma bolha de gás que se expande no espaço ao ser atingida por radiação solar, criando determinadas características no campo magnético e eléctrico. As simulações de Luís Gargaté vêm trazer uma nova luz sobre os fenómenos da formação de cometas e da sua interacção com o vento solar e apontam novas direcções para a utilização de magnetosferas artificiais para a protecção de naves espaciais e satélites.

O investigador explicou ao DN que o estudo da atmosfera artificial, uma espécie de bolha protectora, surgiu com mais profundidade após uma experiência da NASA, em 1982. Nesse ano, foram largados contentores de gás para o espaço. "As partículas de gás expandiam-se, ficando carregadas e comportavam-se como um plasma".

O trabalho premiado consiste na visualização científica dos resultados de simulações numéricas de larga escala do cometa artificial AMPTE, o qual permite capturar - pela primeira vez e em simulações numéricas - a dinâmica observada nas experiências realizadas naquele cometa. O cometa artificial AMPTE resultou de uma série de ensaios realizados em 1984, nos quais pequenas quantidades de lítio e bário foram largadas nos limites da magnetosfera terrestre (a mais de 70 000 km da Terra), para assim se formar um cometa artificial, revela um comunicado do IST.

Luís Gargaté sustentou que trabalha na área de simulação de plasmas há quatro anos, tendo o filme premiado levado "um a dois meses a preparar". O Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear (IPFN), do qual faz parte, é uma nova unidade de investigação do Instituto Superior Técnico, que resulta da junção do Centro de Fusão Nuclear e do Centro de Física dos Plasmas. O IPFN, de acordo com o IST, forma a maior unidade de investigação em física de Portugal.|- C. A.

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