Aquilino Ribeiro é o décimo a ascender ao Panteão Nacional

Ainda não há data marcada para o evento, mas o Parlamento já decidiu que os restos mortais do escritor Aquilino Ribeiro serão transladados para o Panteão Nacional, que ele se juntará a outros nove "grandes homens e uma mulher" (ver caixa), e fará companhia aos túmulos vazios (cenotáfios) de Nuno Álvares Pereira, Infante D. Henrique, Afonso de Albuquerque, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Luís de Camões.

Mas antes que seja concretizada a honra de ficar no Panteão Nacional, cuja decisão é da competência exclusiva da Assembleia da República, terão de ser vencidas várias etapas burocráticas: primeiro, tem de ser constituída uma comissão com representantes dos vários grupos parlamentares que determinará a data e orientará o programa da trasladação; segundo, depois de ouvida a comissão, será designado um grupo de trabalho para assegurar a sua concretização, como explica detalhadamente a resolução publicada ontem em Diário da República.

Filho emocionado

Aquilino Ribeiro Machado, primeiro presidente da Câmara Municipal de Lisboa democraticamente eleito e filho do escritor, comentou ao DN que "embora o meu pai já esteja suficientemente reconhecido pela Cultura, a ida para o Panteão é outro tipo de reconhecimento que me deixa emocionado". O antigo autarca estava a par das pretensões da resolução parlamentar. "O Dr. Jaime Gama pôs- -me ao corrente, mas ainda não sei quando se concretizará. Talvez antes das férias de Verão."

Das memórias que conserva do pai, recorda especialmente aqueles passeios de domingo em que ambos iam até ao Panteão que funcionava no Mosteiro dos Jerónimos. "Ia lá com o meu pai ver os grandes portugueses", comenta ao nosso jornal, adiantando que já tinha pensado e desejado que tal acontecesse, "mas nunca fiz nada por isso."

Aquilino Ribeiro (1885-1963) inicia a sua obra com o livro de contos Jardim das Tormentas, em 1913. A Casa Grande de Romarigães (1957) é um dos seus romances mais conhecidos, assim como O Malhadinhas ou Quando os Lobos Uivam. Republicano, esteve preso, fugiu para França, tendo regressado com a I Guerra a Portugal.

Aquilino Ribeiro será o décimo português a merecer no Panteão as honras de Estado.

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