50% dos idosos admitem prática da eutanásia

Estudo foi feito por um grupo da Faculdade de Medicina do Porto

Uma grande percentagem das pessoas idosas institucionalizadas, mesmo não sofrendo de doenças crónicas ou terminais, pensa frequentemente na morte e cerca de 50% ad- mite a legalização da eutanásia. A conclusão é de um estudo realizado pelo Serviço de Biomédica e Ética Médica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Os dados apontam ainda para uma percentagem muito significativa de pessoas dispostas a aceitar o suicídio assistido. Uma atitude que pode decorrer de sentimentos de solidão e abandono dos idosos que se encontram em instituições.

O objectivo do estudo, que foi coordenado por Rui Nunes, director do serviço de Bioética da Faculdade de Medicina do Porto e presidente da Associação Portuguesa de Bioética, foi identificar a opinião dos portugueses com mais de 65 anos e sem doença terminal, sobre a eutanásia.

Foram inquiridos 815 idosos institucionalizados em lares e residências de terceira idade no País, incluindo da Madeira e dos Açores e, segundo o responsável da investigação, a ideia era fazer uma análise sociológica e avaliação ética sobre a questão da eutanásia, bem como uma reflexão sobre as estratégias mais adequadas para prevenir a sua ocorrência.

O facto de os inquiridos terem mais de 65 anos explica-se por ser "a faixa etária que está mais predisposta a pensar na morte", explicou Rui Nunes. Os dados preliminares mostram a existência de uma percentagem muito significativa de pessoas dispostas a aceitar o suicídio assistido. "Falta perceber se isso reflecte uma vontade firme ou se é o resultado da solidão e do abandono que os leva a pensar na morte", sublinhou.

No caso de a segunda hipótese se confirmar, Rui Nunes defende a necessidade de se "repensar a sociedade para que estes pedidos ocorram no menor número possível". Uma estratégia "que deverá incluir redes de cuidados paliativos e de cuidados continuados eficazes, mas que está ainda muito longe de ser implementada em Portugal", lamentou.

Estes dados serão debatidos no Congresso Nacional de Bioética, que se realiza na próxima sexta-feira, na Aula Magna da Faculdade de Medicina do Porto. LUSA

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