'Gala Homenaxe' a Zeca uniu Galiza a Portugal

Doente, Suso Iglesias, director da TV Galiza, não pôde entoar Grândola, Vila Morena com os artistas e os 700 convidados que encheram o Paço da Cultura de Pontevedra. Foi o corolário da homenagem a José Afonso que, um dia, Suso Iglesias idealizou. Até porque, a tocar gaita, acompanhou pela Europa o cantor português, seu amigo de alegranças e de-sesperanças.

Mentor desta grande co-produção TV Galiza-RTP, Suso Iglesias tem razão para cantar vitória. À Gala Homenaxe, a ser transmitida por ambos os canais ibéricos no próximo dia 24, não faltou sentimento. Tão-pouco ritmo, variedade, raízes. Afinal, tudo fruto de uma criteriosa forma de construir a festa. Uma viagem por memórias, testemunhos, trovas, canções de combate, poesia galaico-portuguesa. Uma ponte entre culturas. Vitorino, Luís Pastor, Faltriqueira, Xico de Cariño e Manecas Costa. Treixadura, Victor Coyote e Jon Luz. João Afonso, Uxia, Júlio Pereira. Dulce Pontes, Zeca Medeiros. E Miro Casabella, Tito Paris, Irmãos Salomé. E Anton Reixa e Janita. O elixir da eterna juventude em palco também com Sérgio Godinho.

Público e cantores, uma constante simbiose. Palmas e cravos. Grândola entoada de pé. E, ufano, Xose Rei, director de produção: "Encontrámos grande disponibilidade de todos os artistas e da RTP." No dizer de Janita, "um espectáculo fresco".

Logo à entrada do salão, um opúsculo bem concebido sobre Zeca, Sempre Abril, Sempre, era oferecido aos convidados, jovens, de meia- -idade, idosos alguns, tendo no meio das folhas um cravo vermelho.

Estava dado o mote. A ligação de Zeca ao 25 de Abril tornava-se óbvia.

Alegria nos bastidores

À margem da ribalta, nos chamados camarins, o convívio, as mesas postas e... venham mais cinco. Os últimos preparativos. No ar, o tom de Traz outro amigo também, Grândola de mi querer, Verdes são os campos. E, vejam bem, A garrafa vazia de Manuel Maria.

Mais umas goladas de cerveja e vinho, trincadelas em fruta e tapas. E Dulce Pontes a fazer arrepiar a espinha com Canção de embalar, enquanto tratava da sua pequenada. Igualmente satisfeita, num vestido vermelho, a apresentadora portuguesa, Sílvia Alberto.

Entrevistou os intervenientes, seguiu o texto de José Mário Branco, e, quanto à provocação de Carlos Blanco, de que a menina seria mais da geração dos Xutos e Pontapés, admitiu o estilo arrojado da banda. Porém, "já não são da minha geração. Talvez da geração dos meus pais".

Ao DN, Sílvia afirmou gostar do legado de José Afonso. "Recuperei as canções dele. São universais e intemporais. É música do nosso tempo." No ecrã gigante da sala, os testemunhos falavam disso mesmo. Para Maria de Medeiros, se Zeca fosse estrangeiro, seria Dilan. Fausto trauteou Rosa Linda. Presente na sala, a companheira do cantor português revelou que ele sempre calcorreou este princípio: "Quando se faz música ou um par de sapatos, tem de se fazer bem."

Afonso falou do génio poético e musical de Zeca, "um tio generoso, bondoso, que continuo a adorar. Palavras e melodias juntam-se de forma mágica". Tudo em prol de uma cidade sem muros nem ameias. "Vale!", gritaram os galegos. Escreveu José Afonso: "Galiza é para mim também uma espécie de pátria espiritual..." E a homenagem acabou com os apresentadores erguendo dois cravos vermelhos, espécie de taças de tinto com que brindaram a festa.

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