Estação de Mem Martins parada a ver passar comboios e droga

O edifício da estação ferroviária de Algueirão-Mem Martins parece saído do "Portugal dos pequeninos". Na única sala aberta ao público, onde funcionam as bilheteiras, consegue sentar-se apenas uma dúzia de pessoas. "A estação está parada no tempo", desabafa Maria Pereira, 27 anos. Trabalha há nove meses numa das lojas situadas na passagem inferior que liga as duas plataformas. "O túnel inunda-se quando chove e fica um cheiro insuportável, porque os esgotos transbordam", diz.

Além desta loja de artigos de viagem e bugigangas, existe ainda um café e uma loja de música, que também tem um pequeno espaço Internet. "Pagamos o saneamento aos serviços municipalizados da câmara, mas quando há problemas passam a batata quente à CP ou à Refer", conta ao DN Nuno Costa, de 26 anos. Ele e o pai exploram há nove anos a cafetaria Ponto Final. "Aquele túnel ali ao fundo à esquerda, do lado de Mem Martins, é o mais perigoso", explica. É longo e nem sempre bem iluminado, e por isso "há mais assaltos".

Ao lado do café, numa pequena loja de música forrada de CD e DVD, trabalha há 20 anos João Freitas. "Nunca tive problemas, mas também não me meto com ninguém", conta. Mas "há gente que passa no túnel de bicicleta a grande velocidade e às vezes de mota", queixa-se.

A linha de Sintra divide a freguesia. Do lado de Mem Martins, além da estação, não existem mais abrigos para os utentes. Do lado do Algueirão, existe uma sala de espera em vidro e uma pastelaria. "A estação não tem condições e faltam abrigos nas plataformas", explica Bruno Silva, de 24 anos. "Mas o problema mais flagrante é o flagelo da droga", explica o jovem, que trabalha na pastelaria Matina há seis anos. "É o tráfico às claras que torna a estação insegura", reforça.

"É a vergonha das vergonhas", desabafa Maria Alfaiate, de 56 anos. Aguarda o comboio para Sintra dentro da pequena estação e conta: "Tenho medo de estar lá fora. Já os vi à pancada [aos toxicodependentes] e tenho medo deles." Além disso, "a GNR vem cá e não faz nada. Deviam fechar as portas e só deixar entrar quem tivesse bilhete", defende.

José Bento, de 52 anos, conhece bem esta situação. "Salta à vista de qualquer um", diz. José vende jornais no quiosque do lado do Algueirão há 40 anos. "É um problema grave, mas as autoridades pouco podem fazer", lamenta.

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