Putin nega mão russa na morte de Litvinenko

O Presidente Vladimir Putin negou ontem, na capital da Finlândia, qualquer envolvimento das autoridades russas na morte por envenenamento do antigo agente secreto Alexandre Litvinenko.

Falando no final da cimeira União Europeia-Rússia, em Helsínquia, Putin classificou como uma "provocação política" as acusações que implicam o Kremlin na morte de Litvinenko, conhecido pelas suas críticas às políticas do líder russo.

Londres emitiu, entretanto, um pedido a Moscovo para que facilite qualquer informação que possa ajudar na investigação da morte de Litvinenko. Segundo um comunicado da diplomacia britânica, o pedido foi feito ao embaixador russo em Londres. O antigo agente secreto detinha a cidadania britânica desde há pouco tempo.

Putin não conseguiu disfarçar um claro desconforto ao pronunciar-se sobre a sorte de Litvinenko numa conferência de imprensa em que boa parte das perguntas foi dedicada a este assunto. Mas o mal-estar do Presidente russo não derivava apenas das perguntas incómodas sobre o destino de um homem que, 48 horas antes do seu fim, escrevera uma carta denunciando, sem ambiguidade, o envolvimento do próprio Putin na sua morte. Putin teve também de gerir o impasse numa cimeira que se destinava a iniciar um novo patamar nas relações entre a UE e o seu país. O braço-de-ferro diplomático entre Moscovo e Varsóvia impediu o início de negociações para uma nova parceria estratégia euro-russa, substituindo o acordo em vigor que finda no final de 2006 (ver texto nesta pág.).

"Nem uma palavra"

Se na conferência de imprensa final - em que esteve rodeado pelo presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, pelo responsável da diplomacia da UE, Javier Solana, e pelo primeiro-ministro finlandês, Matti Vanhanen, que exerce a presidência da UE - , Putin teve de enfrentar a perguntas que lhe eram desagradáveis, durante a cimeira a morte de Litvinenko não esteve entre as suas preocupações.

As agências indicavam que, do lado da UE, "nem uma palavra foi dita sobre o assunto", como aliás tinha garantido Putin na resposta a uma pergunta durante a conferência de imprensa. A declaração do Presidente russo foi corroborada mais tarde por fontes diplomáticas europeias. Sem outro comentário sobre o assunto.

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