Da música do futebol ao 'ruído' dos hinos

Só na primeira escuta é que se estranha. Depois entranha-se. Os hinos de apoio à selecção nacional já chegaram às rádios e às televisões. As rimas fáceis e a batida frenética caracterizam as quatro propostas conhecidas até ao momento da RTP, SIC, Antena 1 e TSF.

O último a ser conhecido foi o da rádio pública, ontem apresentado. Para Rui Pêgo, director de Programas da RDP, o hino traz "identidade e identificação" à estação. "Quem nos ouve vai familiarizar-se com essa canção que vamos tocar com alguma frequência, sobretudo quando Portugal jogar", disse ao DN. "Se ouvir a canção da Antena 1, sei claramente que estou a ouvir a Antena 1", refere.

A concorrente TSF também tem um hino "para associar a estação ao momento", refere Luís Proença, director adjunto da emissora. Sublinhando que a TSF foi "a primeira rádio a ter um hino", o responsável explica que há várias versões da música, com e sem voz, pelo que o tema, composto por Elvis Veiguinha, é "um recurso plástico de antena associado ao Mundial."

Nas televisões, a presença de músicas associadas a eventos desportivos não é inédita. A Volta a Portugal em bicicleta e os Jogos Olímpicos deram azo a "hinos de estação", lembra Hugo Andrade, subdirector de Programas da RTP1. Entusiasta destas músicas ritmadas, considera que os hinos "são muito eficazes" e inserem-se numa "estratégia de comunicação". Apesar de não ter os direitos de transmissão dos jogos do Mundial, a RTP "tem o exclusivo dos resumos alargados", refere.

Música, desporto e televisões

O hino do mundial da televisão pública é uma adaptação da música interpretada por Vânia no último Festival da Canção, Sei quem sou (Portugal). "Sem falar em futebol, o tema fala muito no espírito patriótico", refere o responsável da RTP1.

A detentora dos direitos de transmissão dos jogos do Mundial em sinal aberto é a SIC. "O nosso hino próprio é a linha que 'cose' toda a nossa campanha de autopromoção ao Mundial", disse ao DN Paulo Bastos, subdirector de marketing de programas. O tema, Finta e Brilha Portugal, "é uma bandeira, é parte da festa que a SIC quer proporcionar aos seus telespectadores. Não há festa sem banda sonora..."

A Sport TV, canal de televisão por cabo, detém os direitos de transmissão do Mundial 2006. Não tem nenhum hino próprio mas essa possibilidade não está fechada, apurou o DN. Para já, utiliza a música oficial da prova desportiva. A TVI, que adoptou um hino para o Europeu de sub-21, não terá para o Mundial.

"Menos ais, menos ais"

O hino com que a Galp pôs o País a gritar "menos ais, menos ais" no Europeu 2004 já tem uma nova versão. "Há dois anos, pusemo-nos nos pés do adepto e não há nada que um adepto goste mais que um hino", recorda Isabel Calado, directora de marketing da Galp. O hino surgiu para marcar a diferença no "ruído que anda sempre à volta do futebol".

A proliferação de hinos do Mundial (a PT divulgou ontem o seu) não assusta a responsável: "o nosso hino é inconfundível". A "confusão" de hinos vai acontecer com as outras "empresas que copiaram" a Galp: "O ruído é tão grande que não sobressai ninguém", alvitra.

Carlos Coelho, especialista em criação e gestão de marcas, considera estes processos de "cópia" normais e não duvida de que vai haver "confusão". Mas aponta esta "tendência da comunicação mais contemporânea" que faz com que "as pessoas se sintam parte da marca e não alvo da marca". Por isso, criam--se "momentos" em que as pessoas se sintam capazes de se envolver com as marcas a procurar "territórios de maior credibilidade". E aponta a recente bandeira nacional formada por mulheres: "A iniciativa foi de um banco e da SIC, não foi da Presidência da República..."

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG