BES é o novo accionista estratégico da EDP

O Banco Espírito Santo entrou no capital da EDP, tendo atingido ontem uma participação qualificada de 2,17%, grande parte da qual foi adquirida a um investidor estrangeiro. O banco liderado por Ricardo Salgado despendeu cerca de 200 milhões de euros para se tornar um accionista estratégico da empresa, apurou o DN junto de fontes financeiras.

O objectivo da instituição é reforçar o núcleo duro de accionistas portugueses da eléctrica nacional e vir a ocupar um dos lugares do conselho superior do banco, órgão onde estarão representados os investidores estratégicos da EDP com posições iguais ou superiores a 2%, a criar em breve. Além disso, através do investimento na EDP, o BES pretende estar presente numa empresa "que acredita vai ter um papel estratégico na reestruturação do sector energético ibérico", justificou a mesma fonte.

Ao que o DN apurou, o BES não está comprometido em permanecer como accionista da EDP por um período mínimo de dez anos. Mas o seu objectivo foi construir uma "participação estratégica e de longo prazo". A disponibilidade de permanência no capital da eléctrica, numa perspectiva de médio a longo prazo, foi também manifestada pelos restantes investidores estratégicos da empresa - Banco Comercial Português (5,99%), Iber-drola (5,7%), Cajastur (5,53%), Caixa Geral de Depósitos (4,89%), Brisa (2%) e Energy Finance (2%) - em carta enviada recentemente ao primeiro-ministro, José Sócrates.

A sintonia entre o BES e os restantes accionistas privados da EDP é ainda evidente no facto de, segundo apurou o DN, o BCP, principal accionista da eléctrica, não se ter oposto ao interesse do grupo presidido por Ricardo Salgado em entrar no capital da Energias de Portugal. Isto porque, desta forma, o núcleo de investidores nacionais da eléctrica sai reforçado. A equipa liderada por Paulo Teixeira Pinto foi telefonicamente informada de que o BES iria investir na eléctrica. Também o Ministério da Economia terá tido conhecimento prévio do investimento.

Com a entrada no capital da EDP, o banco de Ricardo Salgado regressa ao sector energético, área que abandonara no início de 2000, altura em que a Petrocontrol, grupo de accionistas privados que incluía o BES, alienou a sua posição na Galp aos italianos da Eni. Em 2004, o grupo integrou o consórcio Luso-Oil, que perdeu a corrida à compra de um terço do capital da petrolífera para a Petrocer. Negócio que nunca chegou a concretizar-se, uma vez que pressupunha a transferência dos activos do gás da Galp para a EDP, operação chumbada pela Comissão Europeia.

* Com P. F. E.

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