A morte da ginasta esquecida pela União Soviética

A antiga ginasta da ex-União Soviética Elena Mukhina morreu sexta-feira em Moscovo, com apenas 45 anos. Campeã do Mundo em Estrasburgo'78, a atleta da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) estava paraplégica, após sofrer um acidente durante um treino, poucas semanas antes dos Jogos Olímpicos de Moscovo'80. A jovem campeã ficou imobilizada numa cadeira de rodas para o resto da vida e esquecida pelo poder político da URSS, naquele que é considerado um dos episódios mais dramáticos da ginástica olímpica.

Apontada como um dos trunfos do regime soviético para os primeiros jogos olímpicos realizados em território da URSS, na capital Moscovo, Elena Mukhina estava há muito a ser preparada pela exigente "máquina" de produzir campeões com o objectivo imediato de destronar a campeoníssima romena Nadia Comaneci, que, quatro anos antes, dominou os Jogos Olímpicos de Montreal'76 (Canadá).

O objectivo era mostrar ao mundo a excelência do sistema desportivo da URSS. Os "atletas de Estado", embaixadores do regime soviético, eram preparados para conquistar medalhas, submetidos a regimes de treino em que não se olhava a meios para atingir esse objectivo.

Todavia, faltavam apenas algumas semanas para o arranque dos jogos, Mukhina sofreu um acidente grave quando a equipa olímpica se encontrava a estagiar em Minsk, preparando aqueles que seriam os jogos de glória do regime, apesar do boicote dos Estados Unidos, Japão e RFA devido à invasão do Afeganistão pelas tropas soviéticas.

As informações oficiais divulgaram que a atleta não iria participar nos jogos porque "sofrera uma lesão". Mas a verdade era muito mais grave. Durante dois anos nunca mais se ouviu falar na atleta, conhecida ainda hoje por ter sido a primeira a executar uma pirueta mortal no solo. Pouco a pouco foram dados a conhecer pormenores do acidente: numa série de saltos, Mukhina caiu desequilibrada sobre o queixo e fracturou várias vértebras. Abandonada pelo regime de alta competição, voltou a viver com a sua avó, com quem foi criada desde os cinco anos, após a morte da mãe.

Em 1988, numa entrevista, denunciou o modelo soviético de treino, mas responsabilizou-se a si própria pela lesão: "Não culpo ninguém. Fui estúpida. Queria justificar a confiança que depositaram em mim e ser uma heroína."

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