Testemunha ouviu a mãe de Joana dizer que a filha está viva

"A minha filha está viva". Foi esta a curta reacção de Leonor Cipriano à proprietária de um minimercado na localidade de Figueira (Portimão), poucos dias após o desaparecimento de Joana, a 12 de Setembro de 2004. Nessa altura, aquela comerciante, Nídia Rochato, que mantinha uma "relação de grande amizade" com a criança, manifestou a Leonor Cipriano a sua surpresa por ela "não chorar nem estar a sofrer" pelo que sucedeu à própria filha. E perguntou-lhe "O que é que te diz o teu coração, como mãe?" Foi então que ela respondeu que a filha "está viva".

A gravação deste depoimento de Nídia Rochato, testemunha de acusação, foi ontem ouvida no Tribunal de Portimão, onde decorre o julgamento de Leonor Cipriano e do seu irmão João Manuel, acusados da co-autoria de crimes de homicídio qualificado, profanação e ocultação do cadáver de Joana.

Nídia Rochato garantiu nunca ter visto Leonor bater na Joana nem nos irmãos. Recordou que a criança lhe disse várias vezes não ter tempo para brincar por ter de tratar da casa "e cuidar dos irmãos". Segundo esta testemunha, "por incrível que pareça, ela protegeu sempre a mãe". Nídia disse ter visto Leonor e o irmão com "um saco grande" no dia seguinte ao desaparecimento de Joana, mas desconhece o que continha.

Na sessão de ontem, os pais dos arguidos recusaram prestar declarações. A irmã de Leonor, Anabela Cipriano, testemunhou ter recebido duas cartas do irmão, referindo que "a Joana foi vendida". Numa delas, a que o DN teve acesso, culpou Leonor pelo que sucedeu à pequena Joana.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG