Reproduzir linces em cativeiro salva espécie

A organização ambientalista World Wildlife Found (WWF) vai sensibilizar o novo Governo português para o perigo de extinção do lince Ibérico. O WWF diz que em Portugal existe já uma estratégia, por parte do Instituto de Conservação da Natureza, um plano de criação destes felinos em cativeiro e instalações, mas falta uma promessa de anos enquadramento legal e financiamento.

Situação diferente de Espanha, onde o WWF espera que nas próximas semanas nasça o primeiro lince Ibérico bebé gerado em cativeiro, no âmbito de um projecto pioneiro para salvar esta espécie ameaçada, também designada como Tigre da Europa. Em Portugal ainda pouco ou nada se avançou, a não ser com algumas campanhas avulsas de sensibilização pública. A Espanha já se disponibilizou a ceder alguns exemplares, mas para isso é necessário aprovar a legislação necessária. "Vamos agora tentar alertar o novo Governo para que esta questão seja considerada prioritária, até porque corre-se o risco de perder todo o financiamento comunitário, destinado a estes tipo de projectos, que termina em 2006", afirmou ao DN Eduardo Gonçalves, representante do WWF em Portugal.

O projecto espanhol está a ser desenvolvido na Andaluzia onde foram reunidos 13 linces, cinco machos e oito fêmeas na tentativa de uma primeira reprodução da espécie em cativeiro. Para Eduardo Gonçalves era "importante que o mesmo começasse a ser feito no nosso País de forma a se conseguir manter a espécie com uma base genética variada". A organização já começou a angariar fundos com vista a desenvolver o projecto e desde ontem tem uma exposição sobre este felino no ArrábidaShopping, em Gaia. De uma forma simbólica, o visitante é convidado a apadrinhar uma das futuras crias.

No início do século XX existiam na Península Ibérica cerca de cem mil linces. Actualmente, o número destes felinos estima-se em cerca de cem. Destes, 80% vive no Parque Natural de Doñana, na Andaluzia. Em Portugal pouco se sabe. Como salienta Eduardo Gonçalves, a presença do lince Ibérico em território nacional é confirmado "por relatos" em três zonas específicas serras algarvias, Alentejo e no Gerês. O WWF refere que as construções humanas, como barragens e estradas, assim como novas doenças, aumentam o risco de extinção. Ao mesmo tempo, a alimentação destes felinos é cada vez mais escassa.

O lince alimenta-se essencialmente de coelho bravo, "sendo capaz de andar milhares de quilómetros em busca de comida".

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