Repensar a direita depois de três anos "frustrantes"

"Está a chegar o tempo de uma direita que não se revê em velhos costumes e bandeiras ultrapassadas" - é, por isso, tempo de re-pensá-la. Este é o mote que preside às "Noites à Direita. Projecto Liberal", uma série de conferências que começa no próximo dia 5 de Julho, e que pretende lançar à sociedade e aos partidos o desafio de um pensamento mais liberal. Na política, na sociedade, na economia, nos costumes.

"Queremos discutir uma direita mais baseada na liberdade e na responsabilidade de escolha do indivíduo, humanista, respeitadora do direito à diferença, aberta à iniciativa privada", afirmou ao DN o gestor Leonardo Mathias, um dos promotores da iniciativa. Que tem na origem um grupo que reúne nomes como António Pires de Lima (deputado e ex-vice-presidente do CDS), Paulo Pinto Mascarenhas (assessor do CDS), Luciano Amaral (professor universitário), Pedro Lomba (advogado), Rui Ramos (professor universitário) e Filipa Correia Pinto (advogada). As origens são diversas, o objectivo é comum romper com posições dogmáticas e afirmar uma direita liberal, esperando que a discussão se estenda para lá dos debates. Leia-se, para os partidos da direita. Face à evolução da sociedade, "a direita dos últimos 30 anos pode ou não espelhar-se nos próximos 20?", questiona Leonardo Mathias, sublinhando que o ideal seria que os partidos incorporassem esta reflexão, "validando" ou não as ideias em debate.

O "movimento" agora lançado assume-se como "apartidário", mas também Pires de Lima refere que gostaria de ver algum reflexo desta discussão nos partidos. "Há que aproveitar este tempo em que a direita - em sentido lato - vai estar na oposição para repensar um projecto", afirmou ao DN, acrescentando que "o que se pretende é abrir a direita a um discurso mais liberal" de forma a que possa apresentar-se no futuro com propostas "mais claras, mais reformistas". Para não repetir, diz o gestor e deputado do CDS, a "oportunidade desperdiçada" que foram os últimos três anos no poder. Uma experiência que qualifica como "frustrante" ao nível da capacidade de "influência na mudança de mentalidades e de criação de um projecto" para o País.

Como ponto de partida, o grupo lança para a discussão o princípio essencial do liberalismo - liberda-de de escolha. "Está a chegar o tempo de uma direita que defende que a interferência do Estado na esfera privada do cidadão deve ficar circunscrita ao mínimo indispensável", diz o "manifesto" das "Noites à Direita" (publicado em www.direitaliberal.blogspot.com). Está a chegar o tempo de se discutir a liberdade de escolha "na segurança social, na saúde, no ensino, na economia, na justiça", especifica Leonardo Mathias.

Com periodicidade mensal, o ciclo de debates inicia-se a 5 de Julho, no Café Nicola, em Lisboa, com Vicente Jorge Silva e Pires de Lima a debater "A direita e a liberdade", seguindo-se um debate moderado por Miguel Coutinho, director do DN. Seguem-se questões como a direita e a cultura, a educação, a economia ou os costumes, num programa que abrangerá temas da actualidade. O ciclo co-meça na capital, mas estender-se--á também ao Porto. O "movimento" deverá, aliás, vir a incluir personalidades ligadas à Invicta.

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