Mãe de Joana pode ser solta em Março

Leonor Cipriano, que se encontra em prisão preventiva há cinco meses por suspeita de envolvimento no alegado homicídio da própria filha de oito anos, poderá ser solta por falta de provas. A decisão pode surgir já no mês de Março, quando o tribunal daquela cidade reavaliar as medidas de coacção da arguida. A hipótese foi avançada por inspectores da Polícia Judiciária (PJ) a um familiar de Leandro Silva, padrasto da menor, segundo fontes ligadas ao processo ouvidas pelo DN, numa altura em que há a denúncia de que Leonor Cipriano terá sido espancada por inspectores da PJ para contar a verdade. A direcção nacional da Judiciária está a investigar a situação.

Questionado sobre o assunto, o advogado oficioso da mãe de Joana Cipriano, Novais Pacheco afirma "Não se sabe qual a intenção da polícia ao dizer isso.". Mas também admitiu ser "possível" a saída da sua constituinte da cadeia de Odemira, onde está detida, "se não se verificarem os pressupostos que determinaram a sua prisão preventiva", após mais três meses de investigações policiais. O recurso à pulseira electrónica ou a apresentação uma vez de 15 em 15 dias às autoridades, são alguns dos possíveis desfechos para Leonor Cipriano, na perspectiva do seu advogado.

Se for defensor da mãe de Joana no processo desencadeado pelo Ministério Público, na sequência das agressões perpetradas na PJ, em Faro, durante um interrogatório nocturno, Novais Pacheco garante que irá exigir um "pedido de indemnização por danos morais, devido à humilhação de que foi alvo" a arguida. O advogado classifica ainda o sucedido a Leonor, noticiado e documentado com fotos ontem no semanário Expresso, como um "caso de tortura policial que dá má imagem de Portugal e que vai entrar nas contas do nosso país no âmbito da Amnistia Internacional e de outras instâncias internacionais". O causídico não compreende, por exemplo, porque é que a PJ obrigou Leonor Cipriano a um interrogatório às 6.00 da manhã, numa altura em que "devia estar a descansar". Depois de referir que desconhecia as horas em que se tinha processado essa inquirição, Novais Pacheco considerou "muito triste" o estado em que ficou a cara da mãe de Joana e "lamentável o método utilizado para obter provas". "É preciso que se investigue este caso e, se se confirmarem as agressões, que sejam punidos os seus autores", frisou.

Fontes da PJ, em Faro, desmentiram há meses aos jornalistas qualquer agressão a Leonor Cipriano, insistindo que esta "tentou suicidar-se ao atirar-se das escadas". A detida terá confessado ao companheiro, Leandro Silva, numa das visitas à cadeia, que a polícia "a obrigou a apresentar essa mesma versão". "Sei quem me bateu para me obrigar a dizer o que não fiz", disse em Janeiro ao companheiro.

Mas não foi apenas Leonor a ser alvo de alegado espancamento na PJ. Também o seu companheiro - arguido neste processo por suspeita de envolvimento na suposta ocultação do cadáver - se queixa de ter sido "agredido no pescoço" num dos interrogatórios. Tal situação obrigou-o, no regresso a casa, a recorrer às urgências do Hospital do Barlavento, em Portimão.

Por outro lado, Nelson Cipriano, um dos irmãos de Leonor, terá sido igualmente "agredido" na PJ, em Faro, contou ontem ao DN a sua mãe, Florinda Domingues, que chorou ao ver as imagens de Leonor Cipriano publicadas no Expresso.

Comunicado. Entretanto, o director nacional da PJ, Santos Cabral, esclareceu ontem, em comunicado, que foi "única e exclusivamente por iniciativa" deste órgão "que os procedimentos em causa foram desencadeados", a fim de apurar responsabilidades de agentes da corporação suspeitos de terem espancado Leonor Cipriano. "O absoluto respeito pela dignidade da pessoa humana é um valor fundamental, que se inscreve no património e na cultura organizacional da PJ", acrescentou.

De acordo com Santos Cabral, a direcção nacional desta polícia "não tolera comportamentos que ponham em causa o princípio acima referido", aguardando, agora, a "conclusão dos procedimentos de natureza disciplinar e criminal" que estão a decorrer.

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