Luís Osório deixa direcção de 'A Capital'

O jornalista Luís Osório anunciou ontem que vai deixar a direcção do diário A Capital, por divergências com a administração quanto à natureza do projecto editorial e aos meios necessários para o jornal entrar numa nova fase.

Em declarações ao DN, Luís Osório disse tratar-se de uma saída pacífica, perante divergências legítimas com o grupo Prensa Iberia. O director-adjunto, Rogério Rodrigues, deixa também a direcção, que permanecerá em funções até ao final de Julho.

Luís Osório sublinha que a direcção atingiu os objectivos traçados em Maio de 2004. "Estancámos a descida de vendas e aumentámos a notoriedade", disse. No entanto, defende que o projecto "devia passar a uma segunda fase", com outros meios. "Fazer um jornal diário com 40 jornalistas é trabalhar no fio da navalha. Só é possível com alguma dose de ilusão", acrescentou Osório, que sai sem qualquer destino profissional imediato.

O ainda director sublinhou que "o jornal passou a ter uma dimensão nacional e tornou-se mais cosmopolita". A aposta do grupo Prensa Iberia, no entanto, é na informação local, como O Comércio do Porto.

Nos últimos meses, A Capital contratou figuras como Mário Soares, António Mega Ferreira ou Maria José Nogueira Pinto, além de jovens escritores e colunistas oriundos da blogosfera. O diário assumiu causas, ao defender a eleição de John Kerry nos Estados Unidos, e exerceu um jornalismo interventivo. Uma das manchetes mais recentes negava o arrastão em Carcavelos.

As vendas de A Capital baixaram 38% em 2004, caindo de 5841 para 3593 exemplares, num período que cobre sete meses do consulado desta direcção. O diário nem surgiu, aliás, no Bareme da Marktest do primeiro trimestre de 2005 (relativo às audiências e não às vendas).

O director-geral da Prensa Iberica, António Matos, sublinhou, entretanto, à Lusa, "a forma personalizada como Luís Osório exerceu a direcção", adiantando que "a nova liderança da redacção será conhecida oportunamente".

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