Jorge Palma regressa 'Só' e em livro

A surpresa - que deixará de o ser dentro de breves caracteres - aguarda os fãs sobre uma banca colocada à porta da sala já esgotada alguns exemplares para venda da primeira colecção completa dos poemas de Jorge Palma, livro que apenas chegará às livrarias em Março. Lá dentro, o músico sentado ao piano, talvez com a guitarra à mão de semear uma ou outra harmonia, mas sempre sozinho. Quatro meses após a edição de Norte, o álbum que celebrou a reconciliação definitiva com a composição de originais e consumou o divórcio do álcool, Palma deixa a banda em casa e retoma a relação solitária com a sua música ao estilo 'Só', a colectânea editada em 1991. Esta noite, sobe ao palco do Fórum Lisboa (22.00) e volta a passar em revista trinta anos de canções em formato acústico.

Editado em Novembro, o novo álbum surge depois do registado ao vivo No Tempo dos Assassinos (2002) e três anos depois do homónimo Jorge Palma, que assinalou o primeiro reencontro com os inéditos após uma prolongada ausência - iniciada em 1989, depois da edição do notável Bairro do Amor. O título do novo trabalho - Norte - tem um óbvio sentido geográfico, uma vez que foi gravado no Porto - sob a preciosa e atenta colaboração de Mário Barreiros -, mas carrega também um outro, bem mais simbólico é , como o próprio admite, "o primeiro álbum feito, de raiz, totalmente sóbrio".

A apresentação integral ao vivo deste Norte redescoberto far-se-á apenas sexta-feira no palco do Olga Cadaval, em Sintra. Mas é de adivinhar que alguns dos seus temas - pelo menos aqueles que Palma assegura sozinho com o piano, como Passeio dos Prodígios ou Valsa de Um Homem Carente - sejam integrados na parada de velhos hinos que se adivinham entoados em uníssono - do Bairro do Amor à Terra dos Sonhos, entre Só e Frágil. Uma noite de síntese acústica de um percurso já longo que pode e deve ser seguido com os olhos no valioso roteiro a apresentar pelas Edições Quasi (ver caixa).

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.