Aristides Gomes é o novo chefe do Governo da Guiné

Aristides Gomes é o novo primeiro-ministro da Guiné-Bissau. Três horas depois de o Presidente Nino Vieira o ter designado, foi ontem empossado como o 12.º chefe do Governo guineense. A nomeação, contudo, não foi pacífica e o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) já garantiu que irá "lutar através dos meios legais" para impugnar o decreto presidencial.

Carlos Gomes Júnior, demitido na sexta-feira, alegou que o Chefe do Estado não seguiu os parâmetros constitucionais, que prevêem que o nome do primeiro-ministro seja oriundo do partido mais votado nas legislativas de 2004.

Aristides Gomes, porém, minimizou as críticas do PAIGC, sublinhado que a sua prioridade passa por estabelecer "amplos consensos em torno dos grandes problemas do país". Na breve cerimónia de tomada de posse, o ex-primeiro vice--presidente do PAIGC, suspenso em Maio por apoiar a candidatura de Nino às presidenciais de Julho, explicou que a composição do elenco governamental será divulgada "muito em breve" e que o seu Executivo "deverá contar com dirigentes" do partido vencedor nas legislativas do último ano.

O novo chefe do Governo não avançou quaisquer nomes, mas esclareceu ser seu objectivo "congregar a maior abrangência possível" de várias sensibilidades políticas do país, para que a Guiné-Bissau possa "enfrentar as dificuldades que tem pela frente".

"Tenho uma base política e parlamentar para governar, constituída através de uma concertação política que queremos que seja duradoura. É uma maioria sólida e que me deixa à vontade para governar", afirmou, numa alusão ao recém-criado Fórum de Convergência para o Desenvolvimento (FCD).

A nova plataforma reagrupa a maior parte da antiga oposição parlamentar, incluindo o Partido de Renovação Social (PRS), o Partido Unido Social-Democrata (PUSD) e 14 deputados que abandonaram o PAIGC em finais de Outubro. É com esta nova formação que o antigo director de campanha de Nino Vieira diz apoiar-se para poder governar. No entanto, esclareceu Aristides Gomes, serão "exploradas todas as pistas" para tentar integrar alguns dirigentes do PAIGC. Fonte próxima do novo primeiro- -ministro garantiu à Lusa que a composição do Executivo está praticamente completa, faltando apenas a confirmação de "um ou dois nomes" para que o elenco possa ser empossado pelo Chefe do Estado.

Antigo director-geral da Televisão Experimental da Guiné-Bissau, entre 1990 e 1992, Aristides Gomes já foi ministro do Plano e Cooperação Internacional num dos governos de Nino Vieira. Em 2002 ascendeu a primeiro vice-presidente do PAIGC, tendo, contudo entrado em ruptura com o líder do partido, Gomes Júnior, após as legislativas de Marços de 2004. Apesar de ter sido nomeado ministro da Administração Territorial, não compareceu à tomada de posse, alegando que a pasta dos Negócios Estrangeiros lhe pertencia. Desde então encetou uma luta pública com a actual direcção do PAIGC, que culminou com a sua suspensão em Maio deste ano.

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