'Insinuações' incomodam PSD

O PSD está incomodado com o caso das "insinuações" de Pedro Santana Lopes sobre o líder do PS José Sócrates. Dentro da direcção e fora dela. Em declarações ao DN, o "senador" e ex-presidente do partido Rui Machete não esconde o tom crítico que atinge Santana em cheio "Estas polémicas e trocas de palavras devem ser evitadas a todo o custo nas campanhas." O antigo ministro deixa ainda claro o que pensa do nível do debate nesta fase de pré-campanha: estas polémicas "são de péssimo gosto".

Rui Machete disse, em voz alta, o que outros dirigentes, inclusivamente da direcção, vão dizendo entredentes. Membros da Comissão Política, que pediram para não ser identificados, disseram ao DN que o tom utilizado por Santana, num almoço com mil mulheres, no sábado em Famalicão, é de "nível muito baixo", "um tiro no pé" e que é um tipo de campanha eleitoral que "não interessa ao PSD".

Dentro do partido há quem ache que, com esta polémica, Santana "ofereceu de bandeja" a oportunidade de o PS e Sócrates se vitimizarem, aumentando as possibilidades de os socialistas conseguirem a maioria absoluta. Mais claro é ainda Pacheco Pereira, no seu blogue (www.abrupto.blogspot.pt) "Era o que o PS mais precisava para se aproximar da maioria absoluta e não tinha até agora conseguido. A campanha do PSD do 'colo' e do 'sabemos quem é / não sabemos quem é' deu-a de mão beijada ao PS." O ambiente é tal que dirigentes nacionais já colocam em 25% a "fasquia mínima" do PSD no dia 20.

Tudo começou no sábado, num almoço com mulheres, em que o presidente social-democrata e primeiro-ministro desafiou os restantes líderes a dizerem o que pensam sobre os casamentos gay e disse que "o outro candidato tem outros colos". O suficiente para o PS acusar Santana e o PSD de alimentarem boatos sobre a vida pessoal de Sócrates. "Indigno e intolerável", uma "campanha negra e indigna", clamou o líder socialista, terça-feira numa entrevista à RTP.

Horas depois, Santana respondeu a Sócrates, no final de um comício em Portalegre, dizendo que o líder do PS está a "inventar situações para evitar debater temas". Ontem, num almoço do American Club, em Lisboa, o primeiro-ministro repetiu-o, dizendo que é essencial debater e que há quem - Sócrates e o PS - esteja a "querer condicionar os temas". "É bom haver contraditório para não ficar tudo no vago", afirmou. Com Sócrates, disse, está disposto a debater todos os dias "sentar-se de manhã, à tarde e à noite" para debater tudo, todos os temas.

E já que tanto se fala sobre os boatos, Santana - que considera normal "a tensão" nesta pré-campanha - lembra os de que foi vítima desde que chegou ao Governo, em Julho do ano passado. Como aquele em que era acusado de ter adiado uma posse de secretários de Estado por "compromissos pessoais".

De resto, no seu longo discurso sobre as legislativas de dia 20, Santana Lopes fez, de novo, um apelo ao voto dos indecisos. Só o PSD poderá relançar a recuperação económica. Porquê? O PS poderá fazer um acordo com o Bloco de Esquerda. E o BE, recordou que "não é nada", mas tem a herança de um partido trotskista, o PSR...

* Com Paula Sá

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