Gabriel O Pensador apresenta o novo 'Cavaleiro Andante'

Os brasileiros podem finalmente ouvir Tás a ver?, o tema que Gabriel O Pensador fez há dois anos a pensar nos portugueses e para um best of editado só em Portugal. A música, que conta com a participação de Adriana Calcanhotto e ainda com um sample de Sérgio Godinho, integra Cavaleiro Andante, o álbum que o rapper brasileiro lançou esta semana nos dois lados do Atlântico (Sony BMG). "No Brasil, só os fãs mais interessados, que vão procurar tudo na Internet, é que a conhecem", explica Gabriel O Pensador. "Mas desta vez não podia ficar de fora, eu gosto muito dela, é uma música muito especial."

O último disco de inéditos de Gabriel O Pensador, Seja você mesmo mas não seja sempre o mesmo, tinha sido lançado em 2001. Depois disso, editou Tás a Ver? - O melhor de Gabriel O Pensador e o Ao vivo na MTV, ambos em 2003. O interregno deu-lhe tempo para escrever ("o rap é poesia e eu acho que este disco tem o meu lado mais poeta", diz), para improvisar (algumas músicas foram feitas assim, improvisando para o computador), para desfrutar com calma de todas as fases da concepção de um álbum. "Já tinha muita saudade de voltar ao estúdio", revela.

Para o estúdio, Gabriel levou alguns dos seus parceiros habituais, como os produtores Itaal Shur e Leandro Neurose, e contou ainda com participações especiais - como a do norte-americano Troy High- towers, que lhe foi aconselhado por Boss AC para fazer as misturas. "Queria voltar ao som electrónico. Este disco tem alguns temas que são mesmo para dançar, mais club, com um beat mais forte do que os anteriores", explica. Em termos temáticos, o álbum combina um lado mais solar, de boa onda, com as habituais preocupações do Pensador. Exemplo da primeira linha são temas como Deixa Rolar (com a participação vocal de Negra Li), 12 Meses por Ano ou Rap do Feio (onde brinca com Que Beleza de Tim Maia, porque afinal, diz, "está tudo beleza"). Do outro lado, estão os temas de denúncia social, como Sem Neurose ("sem neurose, sem grilo, com tranquilidade" e com voz de Tom, o filho de três anos de Gabriel), Tudo na Mente, Sorria (com a participação dos Detonautas) ou Tempestade. "Há letras com algum peso, mas não diria pessimismo", considera o rapper, habituado a "desabafar através da música" e a tentar mudar as coisas. "Lá no Brasil a gente está numa fase meio desoladora, por causa da política mas também porque está triste a situação da violência." Como fica claro na letra de Bossa 9 "Se eu reclamo é porque eu amo isto aqui."

Os discos de Gabriel O Pensador estão sempre cheios de citações e este não é excepção. Por aqui passam Carlos Drummond de Andrade ("no meio do caminho pode ter uma pedra", em Cavaleiro Andante), Tom Jobim e Vinicius de Morais (é a partir de Garota de Ipanema que se constrói Bossa 9, música sobre o desencanto de uma geração e a transformação do Rio de Janeiro), Caetano Veloso (ainda em Bossa 9 ouve-se que "o Haiti não é aqui") e até a música do filme 2001 - Odisseia no Espaço (em Neurose). Mas as presença mais notória é mesmo a de Legião Urbana Palavras Repetidas, o single deste álbum, homenageia o mítico grupo brasileiro. Numa música que fala de violência e medo, Gabriel O Pensador usa o sample do refrão de Pais e Filhos para lembrar que "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã". "É uma música angustiante, que passa uma sensação de sufoco, mas ao mesmo tempo quis falar de esperança e de como é possível ultrapassar tudo isso com o amor", explica, adiantando que não se trata de utopia, "é verdade mesmo". Como sempre, entre balas, corrupção e putos de rua , Gabriel lá arranja maneira de deixar uma mensagem positiva, até porque, como se ouve, em Tás a Ver?, na voz de Sérgio Godinho "a vida é feita de pequenos nadas."

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Elizabeth Warren tem um plano

Donald Trump continua com níveis baixos de aprovação nacional, mas capacidade muito elevada de manter a fidelidade republicana. A oportunidade para travar a reeleição do mais bizarro presidente que a história recente da América revelou existe: entre 55% e 60% dos eleitores garantem que Trump não merece segundo mandato. A chave está em saber se os democratas vão ser capazes de mobilizar para as urnas essa maioria anti-Trump que, para já, é só virtual. Em tempos normais, o centrismo experiente de Joe Biden seria a escolha mais avisada. Mas os EUA não vivem tempos normais. Kennedy apontou para a Lua e alimentava o "sonho americano". Obama oferecia a garantia de que ainda era possível acreditar nisso (yes we can). Elizabeth Warren pode não ter ambições tão inspiradoras - mas tem um plano. E esse plano da senadora corajosa e frontal do Massachusetts pode mesmo ser a maior ameaça a Donald Trump.