Católica em Leiria aberta por causa de cinco alunos

Os cinco alunos que mantêm em funcionamento o pólo de Leiria da Universidade Católica lamentam o encerramento definitivo daquela instituição na cidade, mas só têm elogios para o "ambiente de família" em que as aulas foram dadas. Tratou-se de "um caso único no País", sublinham, para realçar "o excelente acompanhamento que tivemos, uma vez que era impossível ter aulas mais personalizadas que as nossas", afirma Hugo Nobre, um dos cinco alunos "sobreviventes".

Desde 2000, quando foi decidido e anunciado pelo reitor Braga da Cruz, o fecho daquele pólo, que a instituição foi perdendo estudantes, até ficar reduzida ao pequeno grupo de cinco finalistas do curso de Comunicação Cultural que agora vão frequentar um estágio curricular de noventa dias. É, aliás, devido à apresentação e defesa do respectivo relatório de estágio, em Junho, que mantém oficialmente o pólo em funções, dado que as aulas já terminaram e os serviços administrativos estão reduzidos ao mínimo.

No entanto, a "ausência de ambiente académico, representa o lado mais negativo" da experiência rara que viveram, acrescenta Catarina Oliveira, outras das alunas, cuja opinião merece a concordância dos restantes colegas. Tirando isso, frisa a finalista de Comunicação Cultural Sandra Amaro, "não nos faltou mesmo nada. Isto porque, dado que os professores foram de uma grande exigência e todos nós temos a noção de que terminamos o curso com um nível de preparação assinalável".

Por uma propina de 260 euros mensais, os cinco estudantes sentem e dizem que foram uns "privilegiados ao nível do ensino", segundo a expressão de Edite Costa. Para esta aluna "a vantagem de ter tido a oportunidade de tirar um curso superior em Leiria e, ainda por cima, beneficiar de um acompanhamento individual, por parte dos professores, que não pode ser praticado em turmas numerosas" resultou numa preparação académica acima do que é habitual nas universidades das grandes cidades e com centenas de alunos.

Daí, Sandra Amaro dizer que não percebe "como é que uma cidade e uma região com as estruturas de Leiria não tem ensino universitário. É um lapso enorme e difícil de entender, sobretudo se tivermos em conta que deve ser das poucas, se não a única, capital de distrito sem uma instituição universitária", acrescenta a mesma aluna, que no início de Março começou a estagiar numa editora local.

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