Pioneiro da rádio evocado a várias vozes em Lisboa

Igrejas Caeiro nasceu a 11 de Agosto de 1917, em Castanheira do Ribatejo, «uma terrinha pequena». Tem 87 anos e uma grande paixão pela vida. Foi, ontem, homenageado por mais de uma centena de pessoas (amigos, antigos companheiros de trabalho e outras pessoas), durante um almoço realizado no Páteo Alfacinha, em Lisboa.

Homem multifacetado, trabalhou na rádio, na televisão, no teatro, foi ainda actor de cinema e também deputado do Partido Socialista, após o 25 de Abril. Tem, igualmente, uma outra paixão, o Benfica. Mas desistiu de ir aos estádios quando o clube da Luz deixou de ter «uma base formada por jogadores portugueses». Relaciona a sua já longa vivência com a comunicação. «Tem sido uma vida interessante e com a preocupação de estar e de falar com os outros. Essa tem sido a minha preocupação, durante a minha vida. Tudo aquilo que eu faço, no fundo, é comunicar. Teatro, rádio, televisão... É uma alegria poder estar com pessoas que se recordam do meu trabalho e de tudo aquilo que fizemos», disse Igrejas Caeiro ao DN, com uma voz inconfundível.

O comunicador continua a ter, actualmente, tarefas para desempenhar. Essencialmente, ao nível do auxílio aos outros. «Tenho a Fundação Sara Beirão Costa Carvalho, com oitenta utentes, em Tábua, e que já dirijo há muito tempo. Tenho ainda a Fundação Marquês de Pombal, da qual sou também administrador . Sou, igualmente, o presidente da Associação dos Aposentados e Reformados da Radiodifusão Portuguesa. Apesar da minha idade, ainda consigo estar com estes aspectos de comunicação e contactar com as pessoas que precisam», conta.

Uma presença de destaque no almoço de homenagem e confraternização com Igrejas Caeiro foi a do pai do antigo secretário-geral do Partido Socialista, Ferro Rodrigues. Eduardo Alberto Ferro Rodrigues, que trabalhou com o comunicador em Companheiros da Alegria, um programa itinerante transmitido no Rádio Clube Português, nos anos 50, não poupou elogios ao amigo «É um homem multifacetado em todos os aspectos. No aspecto artístico, humano, cultural e político. É um homem com o qual me identifico totalmente, uma personalidade marcante na comunicação», sublinhou, acrescentando: «Quando o quiseram silenciar, por problemas políticos, não foi possível. Forças paralelas lutaram para que não lhe tirassem a carteira profissional», recordou o pai do ex-líder socialista.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Daniel Deusdado

Começar pelas portagens no centro nas cidades

É fácil falar a favor dos "pobres", difícil é mudar os nossos hábitos. Os cidadãos das grandes cidades têm na mão ferramentas simples para mudar este sistema, mas não as usam. Vejamos a seguinte conta: cada euro que um português coloca num transporte público vale por dois. Esse euro diminui o astronómico défice das empresas de transporte público. Esse mesmo euro fica em Portugal e não vai direto para a Arábia Saudita, Rússia ou outro produtor de petróleo - quase todos eles cleptodemocracias.