Passos Manuel de volta como espaço de cultura e lazer

Cinema, bar e clube - eis a ménage a trois que promete revolucionar a vivência da noite na Baixa do Porto, a partir de um sítio com história: o Passos Manuel. É hoje que a antiga sala de cinema reentra no mapa da cultura portuense, pela mão do empresário António Guimarães, proprietário do bar Aniki-Bóbó, referência obrigatória do roteiro nocturno à beira-rio.

É um símbolo do passado que renasce com a ambição de projectar o futuro, nos espíritos noctívagos como nos ecrãs. E é, por via disso, um facto contra a corrente - mais dada a desmanchar prazeres do que a facultá-los. Para já e para a história, fica associada ao novo Passos Manuel a inversão (logo se verá se consequente) da tendência de extermínio do cinema no Porto, que só não se concretizara em absoluto pela resistência do Nun'Álvares. A Baixa, essa, já se despedira dos 35 milímetros há cerca de dois anos - justamente desde o fecho de portas do Passos Manuel.

Após um processo de obras para adaptação do espaço às novas funções, a sala de cinema ressurge encurtada, de modo a tornar possível o alargamento do foyer, convertido em bar e corpo central do equipamento, entre as artes de palco (e/ou de ecrã) e as de pista, por assim dizer. É que em baixo, onde se situava o bar do antigo cinema, há agora uma minidiscoteca - um clube, na designação exacta -, com capacidade para albergar concertos «portáteis», sets de DJ e outros live acts de pequeno formato.

Aberto durante a semana (só fecha à terça-feira), a partir das 16.30, o Passos Manuel terá três sessões diárias de cinema (17.00, 19. 30 e 22.00), por onde passarão estreias e reposições, numa programação da responsabilidade da Cooperativa Curtas Metragens, CRL (entidade organizadora do Festival de Curtas Metragens de Vila do Conde), genericamente dentro de uma linha de autor.

A par de nomes incontornáveis da sétima arte (Visconti, Fellini, Welles, Godard, Antonioni, Chaplin, Coppola, Scorsese, Ford, Kitano e Kar Wai, citados entre muitos outros), serão revelados autores emergentes ou com filmografia já evoluída mas pouco divulgada em Portugal, casos de Kim Ki-Duk (Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera é exibido a partir de amanhã), Sue Brooks (Uma História de Amor Japonesa estreia a seguir) ou Johnnie To. Estão também previstas colaborações com os principais festivais portugueses - de que são exemplo as já confirmadas extensões do DOCLISBOA (4 e 5 de Novembro) e do Festival de Cinema Luso-Brasileiro da Feira (7 de Dezembro) -, além de matinées infantis (filmes de animação, clássicos do cinema e sessões para públicos escolares) e, pontualmente, meias-noites alternativas, com documentários, fitas experimentais e filmes-concerto enquadrados em universos de culto.

Para hoje, noite de abertura, está programada uma actuação do projecto Electronicat (que junta o produtor francês Fred Bigot a Miss Le Bomb (vocalista dos Queen of Japan), com entrada livre para os primeiras 200 pessoas, e um duplo set de Johnny, DJ da Cooltrain Crew - primeiro no foyer, em registo jazzy; depois na cave, à base de funk. Amanhã, a selecção musical estará confiada a um DJ surpresa.

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