Opinião

A medida de todas as coisas

Na crónica de sábado, no DN, cometi um erro comum de cronista, dar de barato que quem me lia sabia do que eu falava. As consequências são geralmente irritantes para leitor. E o autor, merecidamente, pode levar com carimbo de ridículo. Porém, um erro desses pode ser (é a minha desculpa) por o cronista andar fascinado com algo que o possuiu a ponto de pensar universal o seu encantamento. Acontece que eu lera mais uma entrevista do médico patologista Sobrinho Simões, no jornal i. Como sempre de aprender e chorar por mais.

Ferreira Fernandes

Bons samaritanos

O alemão Dariush Beigui que, nos tempos livres, utilizou o seu barco ou comandou tripulações de outros barcos para salvar vidas no Mediterrâneo, é um dos dez que enfrentarão a justiça italiana, numa situação similar à de Miguel Duarte, cujas sentenças poderão ir até 20 anos de prisão. Em entrevista, Beigui afirmou que é difícil haver mais malícia do que a que está presente quando se impede alguém de salvar vidas. Tem razão. Aqueles que não querem salvar vidas não devem poder impedir quem o quer fazer. Nas pessoas que salvou ele viu o que seria estar em desespero, a lutar pela vida, e ninguém querer ajudá-lo.

Marisa Matias

Livro de instruções para uma geringonça 

Todos os governos ficam para a história. No sentido em que esta faz sempre o registo dos factos, das políticas e dos acontecimentos. Há, é certo, aqueles que alcançam mais notoriedade pelo mérito das suas políticas e os que ficam conhecidos pelo seu inverso. Mas sabe-se de algum que ficasse associado a um processo linguístico? O atual governo é certamente um candidato pioneiro a tal. Refiro-me (sem aspirar a linguista e de forma simples) ao processo em que a uma palavra se acrescenta coletivamente um sentido - no caso uma conotação positiva - ao seu significado inicial. É o caso, claro, da palavra "geringonça". De estrutura "frágil", "complexa" e de "funcionamento precário", "geringonça" passou a significar também uma solução governativa capaz de superar a fraqueza apontada na sua origem.

Maria Antónia de Almeida Santos

A Lua não é para lunáticos

Lembro-me nitidamente dessa madrugada de 21 de julho de 1969, quando a RTP transmitiu a chegada da Apollo 11 à Lua. As imagens eram a preto e branco, mas a vivacidade da memória reinventa as cores que não se encontravam no ecrã. Lembro-me da expectativa crescendo ao longo das semanas precedentes. De um passeio ao luar, nas horas anteriores. Em menos de 30 anos, os EUA realizaram os dois maiores projetos de Big Science da história mundial. O Manhattan, que transformou os EUA na primeira potência atómica. E o projeto da ida à Lua, anunciado pelo malogrado J.F. Kennedy. Em ambos os casos, a dimensão militar e estratégica esteve presente. No primeiro caso, os EUA evitaram que Hitler chegasse primeiro ao cogumelo atómico. No segundo caso, Washington anulou a breve vantagem que a URSS tinha ganho nos vetores de mísseis balísticos intercontinentais, recolocando a Guerra Fria no patamar da dissuasão pelo terror, isto é, da destruição mútua assegurada (MAD). Nesse tempo os EUA eram um império, e por isso tinham um discurso universal. Quem seguiu a proeza sentiu-se representado na sua condição de membro da humanidade. Se fosse hoje, o chauvinismo reinante faria desligar a televisão. Em 1969, na Casa Branca, a humanidade fazia vibrar esperanças ecuménicas. Hoje não passa de um conceito taxonómico e zoológico.

Viriato Soromenho-Marques

Filha adotiva da Margem Sul

Nasci em Lisboa e cresci em Paço de Arcos. A primeira vez que passei a Ponte 25 de Abril seria adolescente e o destino seria provavelmente o Algarve. Só terei virado para a rotunda do Centro-Sul três vezes, antes dos 30: uma vez para ir ao Onda Parque, outra levada a uma praia da Costa por um namorado de Lisboa, outra para ver uma exposição na Casa da Cerca, em trabalho. Almada era uma cidade que desconhecia até escolhê-la como casa, há 15 anos, por amor e por causa do mercado imobiliário, que já na altura afastava a pelintragem de Lisboa e da linha de Cascais. Os meus filhos nasceram os dois no Hospital Garcia de Orta, no Pragal, e lembro-me de o meu pai gozar, quando foi do João, o primeiro: "Quem é que nasce numa terra que só tem os escritórios da Brisa?" O meu pai nasceu em Paço de Arcos, uma terra sem escritórios. Linda, minha e sem escritórios. A snobeira de quem tem como berço a linha do Estoril está inscrita no genes e não olha a classes sociais. Eu, por exemplo, ainda hoje dou por mim, de cada vez que digo a alguém de Lisboa ou da Linha que vivo em Almada, a usar a adversativa "mas", "mas sou de Paço de Arcos". E depois a sentir-me estúpida por isso. Faço-o à defesa, porque pressinto o preconceito. Que está tanto na cabeça deles como (ainda) na minha. E não há nada mais estúpido do que o preconceito. Sou de lá, mas também sou de cá, a terra que os meus filhos, que aqui nasceram, acham que é a melhor do mundo, "a margem certa". "Sou da Margem Sul", dizem eles com orgulho. Para eles é uma identidade. Como é para mim ser de Paço de Arcos, mas a identidade, sei eu (eles ainda não), é uma coisa em construção, onde cabem muitas. Podemos ser de muitos sítios (e de tantas outras coisas), que fazem de nós quem somos. E Almada talvez seja o lugar que mais contribuiu para quem sou hoje. Por isso, acho que é tempo de dizer que sou da Margem Sul. O Sul é a minha casa.

Catarina Pires

Corações estrangeiros na areia até o mar os apagar

Quando se fala em Sul no nosso país vem logo à cabeça a palavra Algarve e ninguém se lembra do Alentejo, a região que só usamos para se chegar ao mar. Se formos turistas, a situação é diferente, pois muitos dos que vão para lá passar férias aterram logo no Aeroporto de Faro. O que leva milhões de pessoas a encaminharem-se dos seus países para o Algarve, e algumas delas a ficarem por lá até ao fim das suas vidas, resultará de múltiplas razões. A principal, além das fotografias das praias, será o boca-a-boca que amigos transmitem uns aos outros. Tanto assim que os grupos formam-se e desaguam por ali por qualquer bom motivo, como o de despedidas de solteiras. São às dezenas! E de solteiros também. Aí, com a particularidade de os noivos serem na maioria gays, como se depreende das suas esfuziantes celebrações. O que os leva a todos até lá só um bom inquérito poderá esclarecer, mas assisti a uma prova viva que se me a contassem eu diria que era vinda de pessoas com uma boa imaginação e um certo toque de inventividade. O que foi? Ao caminhar pela praia vi um jovem casal de estrangeiros parado na areia da baixa-mar a fazer um desenho. Não estranhei que a arte representasse por um coração, mas foi impossível não ficar admirado quando observei que em vez dos nomes deles estava a palavra "Portugal" em letras grandes. É certo que depois acrescentaram os seus nomes - e tudo ficou bem. Certo, deveria ser um casal que estava em fim de férias algarvias e gostara muito da região, expressando deste modo o seu agradecimento durante umas horas até que a maré subisse e apagasse aquela declaração de amor. No entanto, dois dias depois voltei a ver outro casal - eram sempre casais - a imprimir na a areia um simpático "Love Portugal". Era o princípio de um padrão que me surpreendia. No dia seguinte, outro casal entretinha-se na mesma expressão de sentimentos, e lá estava a desenhar mais um coração com três palavras lá dentro: os de uma mulher e um de homem e de novo o país... As minhas férias acabaram, mas, se a moda pegou, quem foi a seguir continuou a descobrir estas mensagens inesperadas para nós, que estamos sempre a dizer mal de uma palavra que fica nos corações estrangeiros por alguma razão.

João Céu e Silva

Uma costureira, um sexólogo e a nossa generosidade

Numa redação de colegas doutos e experientes, eu, jovem jornalista, fui atirada às feras. Enviada ao Porto para cobrir um congresso de sexologia - tema apelativo mas sem especialistas ou voluntários para o tratar -, cheguei à estação de São Bento muito em cima da hora. Quando tudo podia correr mal, com um frio de rachar, do meu casacão caiu o único botão que impedia o vento gélido de me enregelar. Corri para a Baixa e entrei numa retrosaria esbaforida. Contei a minha desgraça à empregada de balcão e pedi um carro de linhas e uma agulha.

Paula Sá

Portugal visto pelos olhos dos outros

Estava em plena mata atlântica perto de Ilhéus, em Salvador da Bahia. Depois de dias a ler e a espreguiçar num resort, decidi explorar as zonas em redor com um grupo de turistas. Às tantas comecei uma conversa com um casal de argentinos. Ele médico, ela professora. Conversa agradável, que passou pelo deus Maradona, o tango, o fado e o vinho. Falei do Porto e aí a conversa sofreu uma reviravolta. O homem argentino afirmou, sublinhou e teimou a pés juntos que o vinho do porto era chileno e não português. Fiquei incrédulo. Retorqui e discuti e mesmo assim ele ficou na dúvida. E admito, a conversa ficou por ali.

Filipe Gil

Esta música não soa bem com aquela pessoa

- Isso não soa bem. Podes escolher outra? - Escolher outra quê? Outra música? - Sim. Escolhe outra. - Mas para que é que eu vou escolher outra? É essa. A minha canção preferida do George Michael é o Faith. Qual é a questão? - Esta não pode ser. Não soa bem. Quer dizer. Não te soa bem. Não. Não soa bem para ti. Não é uma boa canção para ti, pronto. Não te assenta bem. - Mas não é uma boa canção para mim porquê? É a minha canção preferida dele. Qual é o teu problema? Mas agora mandas nas canções de que eu gosto? - Ele tem tantas. Escolhe outra. Olha aquela com as modelos boazonas, o Freedom! Isso é uma grande canção. Ou o Jesus to a Child. Ou o Careless Whisper. - Mas tu estás parvo? Qual é o problema desta canção? A escolha é minha, não é tua. Perguntaste-me qual é a minha canção preferida do George Michael. E eu respondo: é o Faith. Se não gostas dela, paciência. - Não, não, eu gosto muito. É uma música do caraças. - Então??!!!! Hello??!!! O que é que se passa? Porque é que não posso escolher esta? - É que essa é a canção preferida da Cláudia. - Qual Cláudia? A tua Cláudia? - Ela não é a minha Cláudia. É a minha ex-Cláudia. Quer dizer, é a ex-minha Cláudia. Já não somos casados. - Eu sei que não são casados. És casado comigo, lembras-te? Casámos ao som do Barry White. E abrimos a pista do copo-de-água com o Never Can Tell do Chuck Berry. Lembras-te disso ou essas canções também te fazem lembrar a tua ex-mulher? Diz-me agora, não me digas só quando eu morrer ou no dia em que nos divorciarmos. - Nós não nos vamos divorciar. - Se houver mais alguma música de que eu goste e que tu digas que te faz lembrar a tua ex-mulher, garanto-te que nos divorciamos. - Não é isso. Não é que me faça lembrar a Cláudia. Mas é a canção do George Michael de que ela mais gosta. E a ela assenta bem. Ou melhor, ela escolheu primeiro. E na minha cabeça... - A tua cabeça daqui a bocado leva com um CD porque me está a irritar? - As pessoas têm canções próprias. Cada pessoa tem a sua. Ou várias. E aquela é dela e associo-a a ela. Desculpa. Não posso associar a ti também. - Isso é um problema teu. E é uma estupidez. - Sabes qual é a minha canção preferida? - A Canção de Embalar, do Zeca Afonso. - Pronto. Agora imagina que essa era a canção preferida de um ex-namorado teu. Ou do teu ex-marido. - E é. É a canção de embalar preferida do João. Ele cantava-a muitas vezes para adormecer o miúdo. - Qual miúdo? O Pedro? - Sim, o Pedro. O meu filho. O teu enteado. - Mas eu punha essa canção para adormecer a Matilde. - Sim. E eu adorava isso. Os meus filhos adormeciam os dois ao som do Zeca. É bonito. - Mas os teus dois maridos preferiam esta canção? - Eu não tenho dois maridos. Tive um, agora tenho outro. E sim, gostavam os dois da canção. E adormeceram os filhos ao som dessa canção. De que gostam os dois. E então? - Então?! Como então?! Não pode ser. Isso é errado. - Tu estás um melómano sentimental. Aliás, tu estás é parvo, a verdade é essa. - Não podemos ter a mesma canção. Não posso ter a mesma canção do teu ex-marido. Devias ter-me dito. Cada pessoa tem a sua canção. Não podemos ter a mesma. A Cláudia tem o Faith. A Filipa, com quem namorei na faculdade, tinha o Billy Jean, do Michael Jackson. E a Andreia gostava da Canção do Engate, do Variações. Cada namorada, cada canção. - Esta conversa acaba aqui. - Olha, e o I Want Your Sex, do George Michael? Também é gira. Não queres trocar? Vá lá. - Esta conversa acabou. Se voltas a falar nas canções da Cláudia, da Andreia ou da Filipa, atiro a tua aparelhagem pela janela.

Paulo Farinha

Ver Tudo

ANYmal, o robô todo terreno de quatro patas

O ANYmal tem o aspeto de um cão robótico inofensivo. A forma como anda é engraçada e os seus gestos (se é que se pode aplicar esse termo a uma máquina com as suas características, já que não tenta imitar os comportamentos humanos) não são intimidantes.Apesar disso, há quem o tenha considerado assustador e houve até uma página sobre tecnologia que o incluiu entre os robôs mais "aterrorizadores". A culpa não foi dos criadores, a empresa suíça ANYbotics, centrada numa robótica útil, mas sim de um episódio da serie Black Mirror (concretamente, o quinto episódio da quarta temporada, cujo título é "Cabeça de Metal") em que um grupo de engenhos robóticos semelhantes a cães dominam a espécie humana pela força e a deixam à beira da extinção. O lema da ANYbotic, por sua vez, é: "Permitimos que os robôs cheguem a qualquer lugar". Talvez seja uma forma de manifestarem confiança numa tecnologia que não para de crescer e que deveria servir apenas para nos facilitar a vida. E é precisamente isso que se pretende com o ANYmal, um quadrúpede com capacidades impressionantes."Um robô comum tem rodas, o que é bastante bom" - assegura Peter Fankhauser, um dos cofundadores da empresa. "Tem inúmeras funções e bateria suficiente para operar durante horas. Porém, não pode ser usado à chuva nem em lugares com escadas. Por outro lado, os drones funcionam muito bem, trabalham de vários ângulos e proporcionam imagens incríveis. Contudo, a autonomia e a capacidade de carga são limitadas. O nosso robô é uma combinação de ambos. Desloca-se em qualquer tipo de terreno e, ao mesmo tempo, é capaz de transportar cargas significativas e a sua bateria tem bastante autonomia. Dura três horas e, como é autónomo, é capaz de regressar sozinho e recarregar-se numa estação.A versatilidade do ANYmal faz dele o robô perfeito para uma grande variedade de tarefas industriais, em interior ou exterior, para trabalhos de distribuição, de resgate, trabalhos agrícolas, florestais ou até para entretenimento. As quatro patas permitem-lhe caminhar, correr, saltar, escalar ou... dançar. Embora a mobilidade seja, obviamente, um dos pontos fortes do robô, é o restante equipamento que lhe permite ser uma ferramenta tão poderosa. Graças aos seus vários sensores, câmaras e aplicações, o ANYmal é capaz de traçar mapas, detetar mudanças de temperatura ou variações sonoras, o que lhe permite aplicar diferentes soluções no espaço em que se encontra a trabalhar.Embora, nesta fase, o ANYmal ainda seja uma versão beta, os seus criadores esperam comercializá-lo em breve. Para isso, estão concentrados em melhorar a sua robustez e algumas das suas competências.Além disso, a ideia é que funcione com API aberta, que permita aos clientes programá-lo para que possam adaptar-se a distintos tipos de tarefas. Porém... que não se gere o pânico, porque ninguém tenciona criar um exército de assassinos dispostos a espalhar o caos pelo mundo.Entrevista e edição: Maruxa Ruiz del Árbol, Noelia Núñez, David GiraldoTexto: José L. Álvarez Cedena

Tecnologia para ajudar a surfar as ondas gigantes da Nazaré

Quando os Europeus pisaram pela primeira vez as ilhas do Havai, na expedição comandada por James Cook, em 1778, viram que os habitantes locais praticavam uma diversão estranha e perigosa. Foi esta a perceção de James King, que assumiu o comando da expedição após a morte do famoso capitão, tendo feito, no seu diário de bordo, a primeira descrição deste desporto: “Um dos seus divertimentos mais comuns é feito dentro de água, durante a maré cheia, quando as ondas rebentam na costa. Os homens entre os 20 e os 30 anos dirigem-se mar adentro, a galgar as ondas; deitam-se sobre uma prancha ovalada, mais ou menos da sua altura e largura, mantêm as pernas juntas, ao alto, e usam os braços para orientar a prancha. Esperam algum tempo até chegarem as ondas maiores e então, todos ao mesmo tempo, remam com os braços, para se manterem em cima da onda, que os impulsiona a uma velocidade impressionante; a arte está em guiar a prancha de forma a manterem-se na direção apropriada, no topo da onda, à medida que esta vai mudando de direção.“À primeira vista, parece um divertimento muito perigoso. Pensei que alguns acabariam por ir embater nas rochas aguçadas, mas, mesmo antes de alcançarem a costa, caso estejam demasiado perto, saltam da tábua e mergulham por baixo da onda, até esta rebentar. Este divertimento é um mero entretenimento, e não tem que ver com provas de destreza. Com boas ondas, imagino que deva ser muito agradável.”Na verdade, a descrição de King acabou por pecar por defeito, uma vez que o surf, com o passar dos anos, acabaria por demonstrar ser muito mais do que apenas “agradável”. A paixão pela arte de cavalgar as ondas é tão viciante que, à sua volta, surgiu toda uma cultura, com a sua própria linguagem, os seus mitos, as suas canções, a sua forma de vestir, os seus filmes e, claro, os seus heróis. Axi Muniain é, sem dúvida, um deles, precisamente porque nunca pôs de lado o tal risco de que falava James King há mais de dois séculos. Muniain esteve já por diversas vezes perto da morte, porque a sua é uma paixão perigosa: dedica-se a surfar as ondas mais difíceis do planeta. Dentro deste ranking, talvez a mais monstruosa de todas seja a da Nazaré, famosa em todo o mundo e apenas ao alcance dos surfistas mais experientes, pois quem se atreve a lançar a prancha à água junto a esta vila portuguesa está a arriscar a vida: “A Nazaré podia ser o Coliseu romano de qualquer gladiador”, afirma Munian. “Isto é particularmente verdade no que toca à dedicação, à alma e à entrega que cada surfista coloca na hora de tentar apanhar uma onda com as dimensões das que existem aqui.”O segredo da formação destas ondas gigantes está no fundo do mar da zona, pois na Nazaré há um canhão subaquático com 230 quilómetros de comprimento e até cinco de profundidade que, aliado aos fortes ventos do Atlântico, faz com que o mar se erga como um muro gigante. Felizmente, agora, os surfistas não enfrentam o oceano de peito descoberto, como faziam os longínquos habitantes do Havai. Agora, os surfistas contam com a ajuda de oceanógrafos como João Vitorino (do Instituto Hidrográfico de Portugal) que, com as suas previsões, antecipam qual o melhor momento para se lançar à água. E contam ainda com novos equipamentos tecnologicamente avançados, como o colete de impacto, que não só permite maior flutuabilidade, como também protege contra os impactos: “Muitos de nós não temos a noção de quantas vezes este colete nos salvou a vida”, garante Muniain, que acrescenta ainda que, graças a este tipo de tecnologia, podem agora enfrentar ondas que, até há muito pouco tempo, eram impossíveis de alcançar, mesmo para os melhores.Texto: José L. Álvarez Cedena

DN Ócio

Do Alentejo à conquista dos Vinhos Verdes

Carlos e Luís Serrano Mira, produtores no Alentejo - onde têm a Herdade das Servas - estreiam-se no Minho com a chancela Casa da Tapada. Francisco Graça / V Digital Imagem | Rui Oliveira / Global Imagens A Casa da Tapada, em Amares, tem tradição vitivinícola desde 1540 e está no coração da área dos vinhos verdes. Os Serrano Mira querem agora reconstruir o nome da Tapada e voltar a produzir os vinhos da região. As primeiras referências já estão no mercado. Com uma produção, no total, de 80 mil garrafas no total, sendo que 60 mil são de casta [...]

Azeite: o trunfo mais discreto de Portugal

Somos o sexto maior produtor mundial de azeite, facto pouco ou nada conhecido entre os portugueses, mas a nossa relação com o produto está muito longe do esclarecimento. Está mais do que na hora de começar a olhar para o azeite como ativo, bandeira e aposta, escreve o crítico de comida Fernando Melo*. Quando isso acontecer, seremos os senhores incontestáveis do Mediterrâneo. Quando o autor grego Arquéstrato escreveu o seu extenso e exaustivo poema culinário, cerca de 400 a.C., já o azeite era utilizado há pelo menos dois mil anos como alimento, base de cozinha, tempero, bálsamo ou combustível. A [...]

V Digital

The Great Hack: "Os dados já valem mais do que o petróleo"

O novo documentário da Netflix - The Great Hack, na versão portuguesa Nada é Privado: o escândalo da Cambridge Analytica - deixa a nu a exploração de dados para efeitos políticos, acompanhando alguns dos intervenientes no escândalo Cambridge Analytica, em 2018. E a dúvida fica no ar: tem a certeza de que sabe mesmo a origem daquilo que vê online? The Great Hack, de Karim Amer e Jehane Noujaim, é disponibilizado na plataforma de streaming esta quarta-feira, dia 24 de julho.