Évora
11 abril 2024 às 07h47
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Cartuxa tem um novo espaço de enoturismo

Além da Quinta do Valbom, a adega dispõe agora de um espaço no Páteo de São Miguel, na zona histórica da cidade, onde é possível combinar provas de vinhos com visitas ao Paço e experiências gastronómicas.

Mesmo no centro histórico de Évora, bem pertinho do templo de Diana, abriu este mês um novo espaço de enoturismo da Cartuxa. No Páteo de São Miguel, edifício histórico classificado e património da Fundação Eugénio de Almeida, a Adega Cartuxa vai oferecer uma experiência diferenciada com um conceito Wine & Culture, uma aposta que acontece após melhor ano de sempre em 2023.

O Páteo de São Miguel, que acolhe atualmente a sede e os escritórios da fundação, o polo museológico da Coleção de Carruagens da família Eugénio de Almeida e o arquivo e biblioteca, entre outras valências da instituição, passa a disponibilizar um conjunto de programas que vem alargar as opções de enoturismo disponíveis, proporcionando a todos os visitantes um maior conhecimento da Fundação Eugénio de Almeida e do seu património histórico e cultural, para além de um contacto direto com os vinhos e azeites da Cartuxa.

Neste espaço, realizam-se provas de vinhos, as quais podem ser conjugadas com visitas ao Paço de São Miguel, que chegou a ser residência do rei D. Sebastião, na primeira metade da década de 70 do século XV, quando estudou em Évora, e os respetivos jardins. Ou ainda com experiências gastronómicas na Enoteca Cartuxa, espaço que evoca o ambiente informal de uma taberna, trazendo-o para a contemporaneidade.

O objetivo é permitir o contacto direto com os vinhos e os azeites da Cartuxa na zona histórica da cidade, oferecendo uma alternativa às propostas apresentadas na Quinta do Valbom, numa zona menos central mas próxima do mosteiro que inspirou o seu nome. “Na Quinta de Valbom, a temática da visita é muito focada na adega, na vinha e no antigo edifício, que remonta ao século XVI e onde temos os tonéis do Pêra-Manca a estagiar e ainda se produz o vinho de talha”, realçou à Lusa João Teixeira, diretor da Adega Cartuxa.

Uma nova aposta da produtora vitivinícola propriedade da Fundação Eugénio de Almeida que acontece após esta ter alcançado o melhor ano de sempre no seu enoturismo em 2023, com mais de 30 mil visitantes, um crescimento de quase 40% relativamente ao ano anterior.

João Teixeira, diretor da Adega Cartuxa, realça o crescimento do número de visitas ao espaço de enoturismo.
Páteo oferece uma alternativa às propostas apresentadas na Quinta do Valbom.

“Em 2022, já estávamos bastante satisfeitos, porque tínhamos atingido os 22 mil visitantes”, mas, no ano passado, tendo em conta o número de visitas, “tivemos o melhor ano de sempre”, com cerca de 30.400, realçou João Teixeira.

No ano passado, o bom desempenho desta adega também se observou na faturação anual, que passou para os 25 milhões de euros, ou seja, superior aos 23,6 milhões registados em 2022, disse João Teixeira, qualificando 2023 como “um ano recorde”.

Segundo o responsável, em termos de enoturismo, os brasileiros ainda são a maioria dos visitantes da unidade da Adega Cartuxa na Quinta de Valbom, mas o peso dos turistas oriundos deste país diminuiu em relação a anos anteriores.

“Estávamos habituados a ter [percentagens de] 60% e 70% de visitantes brasileiros, como tivemos em 2019, mas, em 2023, o peso foi de 57%”, adiantou, referindo que, ainda assim, este mercado cresceu no ano passado.

O diretor da empresa vitivinícola assinalou que os visitantes nacionais e de outros países “cresceram proporcionalmente mais” do que os oriundos do Brasil.

A seguir aos brasileiros, enumerou o responsável, foram os portugueses que mais visitaram o enoturismo da Cartuxa e, depois, no terceiro lugar, ficaram os turistas norte-americanos e ingleses, seguindo-se os espanhóis e, por fim, os franceses.

Dos cerca de 30.400 visitantes, “cerca de 22 mil fizeram, com marcação, a visita e prova de vinhos” e os restantes oito mil “fizeram só a visita e, eventualmente, a aquisição de produtos [da marca] na loja do enoturismo”, notou, assinalando que a unidade na Quinta de Valbom regista, em alguns períodos, uma taxa de ocupação de 100%.

*com Lusa

Tópicos: Évora, Cartuxa, vinhos