Premium União Europeia, desconhecimento mútuo

Ao longo de 2017, Bernardo Pires de Lima lançou-se numa viagem pelas 28 capitais da União Europeia, testemunhando eleições, manifestações, pedidos de rutura, congressos partidários, celebrações identitárias. O investigador e analista em Relações Internacionais entrevistou mais de cem figuras de variados setores, visitou jornais, televisões, interpretou notícias. E chegou a
uma conclusão: nós, europeus, conhecemo-nos mal.

A voracidade das várias crises ocidentais destapou a evidente impreparação para as antecipar, domar e gerir com mínimos de qualidade geopolítica. A União Europeia passou da crise grega para a crise dos refugiados num abrir e fechar de olhos, assistiu à invasão russa na Ucrânia, viu um dos seus grandes pilares estratégicos pedir formalmente a saída, e acabou a década entalada num triângulo de testosterona, entre Donald Trump, Vladimir Putin e Xi Jinping. A história da Europa passou por momentos sangrentos e destruidores, banalizando um mal que nos conduziu à integração política e económica, mantendo-nos relativamente em paz e prosperidade há sessenta anos.

Hoje estamos na clivagem entre sociedades abertas e fechadas, tolerantes e raivosas, vincadas no cosmopolitismo ou no nacionalismo antropológicos, para lá da dicotomia esquerda/direita que nos tem balizado. Aliás, tem aproximado gente de direita e de esquerda numa mesma frente de defesa das liberdades. É aqui que me situo: na esfera cosmopolita europeia. Ou, se quiserem, no liberalismo definido por Claudio Magris: "Uma doutrina das relações entre o indivíduo e o Estado, não uma negação oportunista do Estado e das suas leis." De Lisboa a Helsínquia, de Dublin a Nicósia, é possível sentirmo-nos em casa através de uma mesma linha urbanística, praças de amplificação histórica, ou através de traças arquitetónicas distintas, formas de olhar o espaço público respeitando as culturas nacionais. Durante os onze meses de viagens, abusei da Europa de Steiner, dos cafés como representação do ócio e da reflexão, do humanismo das conversas sem telemóvel, mas também dos teatros como expressão de identidades e afirmação da liberdade política, numa convergência de culturas diferentes no mesmo espaço democrático e civilizado. A este roteiro acrescentei uma tipologia centrada na esfera privada, na Europa das empresas, dos think tanks, das redações dos jornais, das sedes dos partidos, das universidades, das ONG. Ficou claro neste percurso que nós, europeus, conhecemo-nos mal.

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Betinho

Betinho: "NBA? Havia campos que tinham baldes para os jogadores vomitarem"

Nasceu em Cabo Verde (a 2 de maio de 1985), país que deixou aos 16 anos para jogar basquetebol no Barreirense. O talento levou-o até bem perto da NBA, mas foi em Espanha, Andorra e Itália que fez carreira antes de regressar ao Benfica para "festejar no fim". Internacional português desde os Sub-20, disse adeus à seleção há apenas uns meses, para se concentrar na carreira. Tem 34 anos e quer jogar mais três ou quatro ao mais alto nível.