Premium Santiago, o mordomo que escreveu 30 mil páginas sobre a aristocracia

Escreveu 30 mil páginas ao longo de meio século na sua velha máquina Remington. Santiago Badariotti Merlo, o mordomo da família do embaixador brasileiro Moreira Salles, quis registar todas as histórias do mundo da aristocracia. Vivia na casa da Gávea, no Rio de Janeiro, como quem vivia no Palácio Pitti, em Florença.

O mordomo Santiago vivia feliz com a família Moreira Salles na casa da Gávea, no Rio de Janeiro. Cuidava da casa da família do embaixador, recebia chefes de Estado, nobres, hóspedes distintos, cuidava da alimentação e das flores, mas vivia num mundo só dele. Cada arranjo de flores que fazia era "um coro de vozes". O da entrada da porta da bela casa era La grand cantata a bocca chiusa, de Bach. Porque, mais tarde, à hora da receção todas as flores iam estar abertas para os convidados.

Santiago Badariotti Merlo, argentino de origem italiana, conta-o para a câmara de João Moreira Salles. O filho do dono da casa felizmente tornou-se documentarista e filmou, durante cinco dias, o antigo mordomo na sua própria minúscula casa, no Leblon, já depois de reformado, com 80 anos. É em Santiago - Reflexões sobre o Material Bruto, que mostra ao mundo este homem extraordinário, que escrevia o mundo com flores e música e, num plano paralelo, num imenso labor de escrita, passava à máquina as biografias de nobres e dinastias do mundo inteiro. O mordomo datilografou um subtexto da história do mundo entre banquetes e a fina flor. Páginas e páginas grafadas na sua máquina de escrever Remington, a partir das notas que tirava dos livros de bibliotecas de três continentes, em seis idiomas. João Moreira Salles, o Joãozinho, filma as páginas em grandes planos perturbadores enquanto conta a história de Santi e o põe a falar para a câmara.

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