Premium Rosalía: O flamenco também pode ser feminista

A cantora catalã de 25 anos fez um disco em que mistura o flamenco com o hip hop e a eletrónica e no qual fala de violência doméstica e do empoderamento das mulheres. Rosalía não encaixa em nenhum rótulo - mas isso só pode ser bom.

Para fazer El Mal Querer, o seu segundo disco de originais, Rosalía inspirou-se num livro do século XIII, de um autor anónimo, intitulado Flamenca. "Apesar do título, não tem nada que ver com a música", explicou a cantora espanhola. "É a história de uma mulher que se casa com um homem muito ciumento, ele enlouquece e prende-a. E isso pôs-me a pensar quase antropologicamente: tantos séculos depois, mudámos o modo como amamos e nos relacionamos com os outros?"

O disco foi construído, então, como um romance - cada canção é um capítulo nesta história de amor, um amor tóxico que começa com um augúrio, passa por um casamento, crises de ciúmes, filhos, violência (na canção De aqui no Sales ela fala explicitamente sobre violência doméstica e diz aquela frase que os abusadores costumam usar: "dói-me mais a mim do que a ti"). Uma relação que é uma prisão até que a mulher consegue finalmente terminar tudo. A última canção, então, é um grito de liberdade: "A nenhum homem consinto/ Que dite a minha sentença." A mensagem é clara. E vem de uma rapariga de apenas 25 anos.

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