Premium O triunfo dos trolls?

O ponto de interrogação no título é um último reduto de esperança. A verdade é que os trolls estão a vencer e, se os «bons» não encontrarem uma jogada de génio, os «maus» podem ser um xeque-mate à liberdade de expressão.

«Os trolls querem silenciar-te», dizia à Time, em 2016, a escritora norte-americana de origem asiática Celeste Ng, alvo constante de ataques racistas e machistas no Twitter pelas posições críticas em relação a Donald Trump ou as assumidas em defesa das mulheres e da comunidade asiática. «Não gosto de ser intimidada, por isso acho que a melhor maneira de lidar com isto é continuar a falar das coisas que são importantes para mim e os trolls que se danem.»

Nem todos conseguem fazer isto, ignorar, não alimentar os trolls, regra de ouro espalhada em todas as línguas pela internet: «Don"t feed the troll», «não alimente o troll». Há quem não resista a responder-lhes e se arrependa, há quem tenha abandonado as redes sociais para lhes fugir, há quem tenha passado a ter mais cuidado com o que diz, há mesmo quem se tenha calado.

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Técnicos e juízes receiam ataques pelas suas decisões

É procurador no Tribunal de Cascais há 25 anos. Escolheu sempre a área de família e menores. Hoje ainda se choca com o facto de ser uma das áreas da sociedade em que não se investe muito, quer em meios quer em estratégia. Por isso, defende que ainda há situações em que o Estado deveria intervir, outras que deveriam mudar. Tudo pelo superior interesse da criança.