Premium O último fazedor de ampulhetas

Artista do maçarico, Mário Marques é o único artesão que ainda faz as ampulhetas para o Depósito da Marinha Grande

Não foi uma escolha. Mário Marques tinha 13 anos quando se sentou pela primeira vez a moldar vidro ao maçarico. Não se assustou com a chama. Foi o pai, de quem herdou a alcunha que o acompanha até hoje, Macatrão, que o ensinou a arte de maçariqueiro. Aos 14, começou a trabalhar numa fábrica na Marinha Grande onde se faziam ampolas para laboratório. "Trabalhava numa bancada ao lado de chefes de família e ganhava tanto ou mais do que eles, porque tinha mais ligeireza nas mãos", lembra.

Podia ter sido futebolista. Aos 16 anos, era estrela do Marinhense. "Joguei contra os Cinco Violinos", conta, orgulhoso. "Era eu no meio da velharada toda." Manuel Soeiro, que tinha sido jogador do Sporting e na altura era treinador, quis levá-lo para Lisboa. "Mas o maestro Correia Moita viu-me a cantar nos teatrinhos da igreja e convidou-me para ser crooner da sua orquestra. Como na época não se ganhava dinheiro a jogar à bola, eu preferi ficar a cantar à frente da orquestra, com um lacinho ao pescoço, um casaco branco de gola de rebuço e as meninas todas a olharem para mim." Ri-se com essa memória. Cantou no Clube dos Oficiais de Leiria e no Hotel das Termas de Monte Real, no verão corria toda a região, da Nazaré a Peniche.

Ler mais

Exclusivos