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Cinema

O cinema do futuro passa pela Netflix... mas não só

O cinema passou a existir entre a tradição das salas escuras e o desenvolvimento exponencial de plataformas de streaming como a Netflix - resta saber que novos espetadores estão a nascer através da nova idade das imagens e dos sons. Um ensaio de João Lopes*.

Lembram-se de Apollo 13, o filme de 1995, com Tom Hanks, que evoca a dramática missão lunar que não chegou ao seu destino? Alguns meses depois da sua estreia, Reed Hastings, um matemático, então gestor da empresa de informática Pure Software, alugou uma cópia VHS do filme numa loja Blockbuster da cidade de Santa Cruz, na Califórnia. Acontece que excedeu o prazo do aluguer - o seu atraso traduziu-se numa multa de 40 dólares (cerca de 35 euros à cotação atual).

A veracidade desta história tem sido muito disputada; há até quem sugira que foi o próprio Hastings que a inventou como recurso estratégico de argumentação. Qual é, então, a moral da história? Pois bem, estavam criadas as condições para conceber um modelo de negócio que permitisse aos consumidores ver os filmes em suas casas sem estarem dependentes de idas regulares a um clube de vídeo.

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Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

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Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.