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Na rua mais pequena de Lisboa cabe Portugal inteiro (e uma boa parte do mundo)

Grande parte da vida na Rua da Betesga acontece dentro de uma mercearia fina onde se vendem produtos de todo o país a clientes do mundo inteiro. Há menos de um século, a rua lisboeta estendia-se pela Praça da Figueira até ao Poço do Borratém.

A Rua da Betesga mede uns dez metros de comprimento por dois passeios estreitos e uma estrada de paralelepípedo com duas concorridas faixas onde se atropelam carros, tuk-tuks, bicicletas e trotinetes. Os dois passeios em calçada portuguesa, um de cada lado, são ladeados por um corrimão. Será a mais pequena de Lisboa mas agiganta-se de boca em boca, mapa fora, no célebre ditado que alude a feitos impossíveis: "Meter o Rossio na Betesga" (e isso pode ser um engano).

Ainda na semana passada a bem-disposta Alice o escutou das enfermeiras e da médica que a atenderam numa consulta de rotina. "Disseram logo que sabiam onde eu trabalhava, mal eu falei na Rua da Betesga." Está há 19 anos do balcão da Mercearia Tavares. Quando começou a vestir a farda da loja fina e garrafeira, ainda havia duas espingardarias naquele cochicho de rua, uma em cada esquina. Uma das lojas de armas deu lugar a uma casa de sandes, que já derivou em pizaria (Dama e Vagabundo, com entrada pela Rua dos Correeiros). A outra espingardaria deu lugar a uma agência bancária, no início da Rua Augusta - e agora há apenas o vestígio de uma instituição que fechou, com restos de verde na montra.

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Ferreira Fernandes

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