Premium É possível um mundo sem guerra?   

A resposta a esta pergunta é a história da amizade entre Romain Rolland (1866-1944) e Stefan Zweig (1881-1942).

Quando a Grã-Bretanha e a França declararam guerra à Alemanha, a 3 de setembro de 1939, o escritor francês Romain Rolland tinha 73 anos e morava em Vézelay com a mulher. Os seus últimos anos de vida foram marcados pelas doenças crónicas com dificuldade em andar e respirar, pelas questões financeiras, pelo isolamento intelectual e pelo afastamento dos amigos. Parecia que o seu idealismo tinha sido inútil, que os seus esforços em causas humanitárias, políticas e culturais tinham sido um falhanço. E, no entanto, Rolland mantinha-se otimista sobre os seus ideais e o futuro. Os amigos aconselharam-no a deixar a França e a procurar exílio nos Estados Unidos, mas ele achou que não tinha forças para a viagem e, além disso, também se sentia muito distante culturalmente da América. Apesar de a doença o impedir de fazer uma oposição ativa ao nazismo, ele continuou a trabalhar. A escrever. A pensar.

Romain Rolland previu a Segunda Guerra Mundial e o fanatismo católico e nacionalista da França de Vichy, incluindo as suas políticas em relação aos judeus e intelectuais. E apesar disso sempre acreditou que o ódio entre pessoas e nações poderia ser superado e que a eventual reconciliação da humanidade ainda poderia ocorrer. Defendia o "pessimismo da inteligência, o otimismo da vontade", ou seja, ter a inteligência para perceber a realidade e os movimentos políticos à sua volta mas nunca desistir de contrariar essa realidade. Encarava a reflexão já como uma forma de ação. O que implicava compromisso individual, que é o que, no fundo, caracteriza um intelectual. Para ele era um pleonasmo dizer "um intelectual engajado". Como se pudesse haver outro tipo.

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