Premium As máquinas que vigiam os nossos 'posts'

Das mais recentes tecnologias de inteligência artificial aos bons e velhos olhos humanos, só com vigilância apertada as empresas que desenvolvem as redes sociais podem tentar garantir que os utilizadores cumprem as regras estabelecidas.

Todos os dias, 24 horas por dia, sete dias por semana, cerca de 15 mil pessoas distribuídas por duas dezenas de centros espalhados pelo mundo leem dois milhões de posts e avaliam se este conteúdo está de acordo com as normas de publicação do Facebook - proibição de nudez ou de atos que incitem à violência, por exemplo.

Estes números, facultados ao DN pela empresa, são, à primeira vista, impressionantes. Mas tornam-se quase pequenos quando vistos na perspetiva global: a maior rede social do mundo tem, segundo os dados mais recentes, 2,27 mil milhões de utilizadores ativos - quase um terço da população mundial - que, em média, publicam diariamente 350 milhões de fotografias. E a cada minuto que passa o botão Gosto é clicado quatro milhões de vezes (dados da consultora Brandwatch).

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Henrique Burnay

A ameaça dos campeões europeus

No dia 6 de fevereiro, Margrethe Vestager, numa só decisão, fez várias coisas importantes para o futuro da Europa, mas (quase) só os jornais económicos repararam. A comissária europeia para a Concorrência, ao impedir a compra da Alstom pela Siemens, mostrou que, onde a Comissão manda, manda mais do que os Estados membros, mesmo os grandes; e, por isso mesmo, fez a Alemanha e a França dizerem que querem rever as regras do jogo; relançou o debate sobre se a Europa precisa, ou não (e em que condições), de campeões para competir na economia global; e arrasou com as suas possibilidades (se é que existiam) de vir a suceder a Jean-Claude Juncker.

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Anselmo Borges

Islamofobia e cristianofobia

1. Não há dúvida de que a visita do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos de 3 a 5 deste mês constituiu uma visita para a história, como aqui procurei mostrar na semana passada. O próprio Francisco caracterizou a sua viagem como "uma nova página no diálogo entre cristianismo e islão". É preciso ler e estudar o "Documento sobre a fraternidade humana", então assinado por ele e pelo grande imã de Al-Azhar. Também foi a primeira vez que um Papa celebrou missa para 150 mil cristãos na Península Arábica, berço do islão, num espaço público.

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Adriano Moreira

Uma ameaça à cidadania

A conquista ocidental, que com ela procurou ocidentalizar o mundo em que agora crescem os emergentes que parecem desenhar-lhe o outono, do modelo democrático-liberal, no qual a cidadania implica o dever de votar, escolhendo entre propostas claras a que lhe parece mais adequada para servir o interesse comum, nacional e internacional, tem sofrido fragilidades que vão para além da reforma do sistema porque vão no sentido de o substituir. Não há muitas décadas, a última foi a da lembrança que deixou rasto na Segunda Guerra Mundial, pelo que a ameaça regressa a várias latitudes.