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Ano Novo Chinês

De que é feito o presunto mais caro do mundo

Cada presunto, biológico, ibérico, proveniente de uma raça de porco em extinção, custa 4100 euros e demora oito a dez anos a chegar ao mercado. A maior parte dos clientes são particulares, com elevado poder de compra. São produzidos em Espanha por Eduardo Donato, depois de ter decidido mudar de vida para «ter vida».

Estávamos a começar a almoçar, depois de uma manhã a palmilhar a rota do presunto mais caro do mundo, quando Eduardo Donato lançou aquilo, abrindo muito os olhos: «Os nossos porcos vivem melhor do que milhões de humanos. Não comem químicos, veem nascer e pôr o Sol, fazem exercício, não têm stress.» E é esse um dos segredos do presunto 100% ibérico Manchado de Jabugo que sai da Dehesa Maladúa - uma quinta de 70 hectares no fim do mundo, numa Espanha colada a Portugal, reserva biosfera da UNESCO desde 2002.

Sentamo-nos no restaurante de um hotel rural no lugar de Cortegana, em Huelva, Espanha. O império do presunto pata negra vive às segundas-feiras uma espécie de torpor: sim, os porcos andam nos campos, nas bodegas os presuntos, pendurados, prosseguem a cura de sal, mas os restaurantes estão todos fechados. Ali o que contraria isso, a carta do dia não tem porco ibérico mas pode sempre resgatar-se a ementa de especialidades e escutar as conversas da gente do mundo suíno nas mesas ao lado. Tudo naquela zona da Andaluzia gira à volta do porco. Cabe ao discreto Eduardo Donato fazer o mais caro do mundo: cada presunto ibérico biológico da sua Dehesa Maladúa custa 4100 euros.

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