Premium 1936: o ano em que as férias passaram a ser pagas...

É um direito conquistado a pulso mas não está universalizado, apesar das duas convenções que regulam as férias pagas desde 1936. Os franceses foram os primeiros, os EUA, por exemplo, não garantem nenhum dia, a União Europeia está na frente. Em Portugal valeu-nos o 25 de Abril.

Há coisas que hoje tomamos como adquiridas mas que, feitas as contas, têm um curto tempo de vida. Como aquela alínea do subsídio de férias que está num qualquer recibo de vencimento - e que no momento de as gozar sabe tão bem -, é uma conquista recente: só ficou convencionado há 83 anos para o mundo todo e, em Portugal, só se generalizou com o 25 de Abril. Um grãozinho de tempo na história.

O mundo estava em convulsão a caminhar a passos largos para a Segunda Guerra Mundial, mas a Organização Internacional do Trabalho (OIT), que nasceu dos escombros da Primeira Guerra Mundial (1914-18) e ficou inscrita no Tratado de Versalhes, entendeu por bem sentar-se à mesa e discutir uma convenção sobre férias pagas, no mínimo de seis dias úteis . Estávamos em junho de 1936.

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Catarina Carvalho

Clima: mais um governo para pôr a cabeça na areia

Poderá o mundo comportar Trump nos EUA, Bolsonaro no Brasil, Erdogan na Turquia e Boris no Reino Unido? Sendo esta a semana do facto consumado do Brexit e coincidindo com a conferência do clima da ONU, vale a pena perguntarmos isto mesmo. E nem só por razões socioideológicas e políticas. Ou sobretudo não por estas razões. Por razões simples de simples sobrevivência do nosso planeta a que chamamos terra - porque é isso que é fundamentalmente: a nossa terra. Todos estes líderes são mais ou menos populistas, todos basearam as suas campanhas e posteriores eleições numa visão do mundo completamente conservadora - e, até, retrógrada - do ponto de vista ambiental. E embora isso seja facilmente explicável pelas razões que os levaram à popularidade, é uma das facetas mais perigosas da sua chegada ao poder. Vem tudo no mesmo sentido: a proteção de quem se sente frágil, num mundo irreconhecível, em acelerada e complexa mudança, tempos de um paradigma digital que liberta tarefas braçais, em que as mulheres têm os mesmos direitos que os homens, em que os jovens podem saber mais do que os mais velhos... e em que nem na meteorologia podemos confiar.

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Pedro Lains

Boris Johnson e a pergunta do momento

Afinal, ao contrário do que esperava, a estratégia do Brexit compensou, isto é, os resultados das eleições desta semana deram uma confortável maioria parlamentar ao homem que prometeu a saída do Reino Unido da União Europeia. A dimensão da vitória põe de lado explicações baseadas na manipulação das redes sociais, da imprensa ou do eleitorado. E também põe de lado explicações que colocam o desfecho como a vitória de uma parte do país contra outras, como se constata da observação do mapa dos resultados eleitorais. Também não se pode usar o argumento de que a vitória dependeu de um melhor uso das redes sociais, pois esse uso estava ao alcance de todos e se o Partido Trabalhista não o fez só ele pode ser responsabilizado. O Partido Conservador foi mais profícuo em mentiras declaradas, mas o Partido Trabalhista prometeu coisas a mais, o que é diferente eticamente, mas não do ponto de vista da política eleitoral. A exceção, importante, mas sempre exceção, dada a dimensão relativa da região, foi a Escócia, onde Boris Johnson não entrou. Mas a verdade é que o Partido Conservador conseguiu importantes vitórias em muitos círculos tradicionalmente trabalhistas. Era nessas áreas que o Manifesto de esquerda tradicional teria mais hipóteses de ganhar, pois são as áreas mais afetadas pela austeridade dos últimos nove anos. Mas tudo saiu ao contrário. Porquê?