Polícias passam a cobrar por assistir a abertura de portas

Portaria define novos preços de serviços extra prestados pela PSP e GNR

Sair de casa sem chaves causa transtorno. E mais causa quando os bombeiros apresentam a conta do arrombamento. Desde ontem, não só terá de pagar aos bombeiros, mas também à PSP ou GNR, que normalmente são chamadas ao local apenas para assistir ao ato: 15 euros/hora. O preço está estipulado numa nova tabela de valores a cobrar pelas polícias por serviços extra habitualmente prestados, publicada em Diário da República.

Além da assistência ao arrombamento de portas, está previsto, por exemplo, ainda um custo de 75 euros/dia pela cedência de cães. Fonte policial disse ao DN que os canídeos tanto poderiam ser cedidos para grandes eventos desportivos, como também para produções televisas. Até hoje, o valor era discutido entre os promotores e a respetiva força policial. O mesmo se aplicará ao aluguer de fardas e viaturas, também muito requisitados, nos últimos anos, para telenovelas: uma farda da GNR ou PSP passará a custar 40 euros/dia, enquanto uma viatura ligeira 20 euros/dia.

A uniformização de preços para a PSP e GNR foi justificada na portaria conjunta dos ministérios da Administração e Interna e Finanças (19/2017, de 11 de janeiro) com o facto de, nos últimos anos, se ter verificado um "acréscimo substancial do número de pedidos de cedência de animais, equipamentos e infraestruturas das forças de segurança e de solicitações de prestação de serviços, para fins que não decorrem diretamente da missão policial". Isto, segundo os ministros Constança Urbano Sousa (Administração Interna) e Mário Centeno (Finanças) ,"tem originado uma exigência acrescida na alocação de meios humanos e materiais e, consequentemente, a assunção, por parte da GNR e da PSP, de custos económicos significativos que fragilizam, por via do correspondente impacto orçamental, a capacidade de financiamento da sua atividade nuclear".

As candidaturas às duas forças de segurança também deixarão de ser gratuitas, passando a apresentação a custar 40 euros. A GNR também terá valores atualizados na sua escola de equitação: 40 euros/mês. Um curso de treinador de equitação poderá custar entre 198 e 2630 euros, dependendo do número de horas e do tipo de formação, específica ou geral.

As polícias vão passar ainda a cobrar por pareceres de segurança dados, por exemplo, a competições desportivas, como por exemplo as inúmeras mini-maratonas promovidas em várias cidades e, numa escala maior, a Volta a Portugal em Bicicleta ou grande jogos desportivos. "São atividades que implicam custos de deslocações, recolha de dados, informações e elaboração de pareceres", explicou ao DN fonte policial, acrescentando que, por isso, as forças policiais têm despesas, as quais até ontem nunca eram pagas pelos promotores dos eventos.

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A tradição deu as boas-vindas à modernidade. O grupo de Zés-Pereiras Unidos da Paródia recebeu o MIMO em Amarante com uma atuação no largo da Igreja de São Gonçalo, antes do programa do festival começar, numa noite que juntou no Parque Ribeirinho Três Tristes Tigres, Tinariwen e Nação Zumbi. Após os gigantones terem saído de cena, um grupo de brasileiros radicados em Portugal aproveitou para tirar fotografias empunhando mensagens contra Michel Temer e a rede Globo e de apoio à Nação Zumbi.

O histórico grupo brasileiro foi o último a tocar na primeira noite do festival, já de madrugada, mas antes, ao fim da tarde, participou numa conversa no Fórum de Ideias. Moderado pelo consultor editorial Tito Couto, o encontro com o guitarrista Lúcio Maia e com o baixista Dengue foi um cartão de visita para quem não conhecia bem o grupo de Recife, e em especial do seu malogrado líder, Chico Science. Lúcio Maia lembrou que nos anos 80 a cidade chegou a estar classificada como a quarta pior do mundo para viver - e que a origem do nome do movimento manguebeat se deve à ideia de "afetividade" de Chico Science para com os manguezais, porque Recife foi construída à custa do aterro dos mangues. Sobre a mistura de sonoridades que caracteriza a Nação Zumbi, Dengue comentou: "Foi uma sacada muito grande do Chico. No final das contas, o nosso som era inclassificável, coisas de Pernambuco com o rock. Até para nós, hoje, soa estranho e novo o primeiro disco."

Nada estranho foi o primeiro concerto do festival, o do Quarteto Arabesco com Pedro Jóia. O grupo de cordas e o guitarrista encheram a Igreja de São Gonçalo com um repertório que começou na clássica (Luigi Bocherinni), passou pelo mestre Carlos Paredes, prosseguiu com Armandinho e Raul Ferrão, e culminou nas variações sobre fado corrido, da autoria de Jóia. Um arranque tranquilo e virtuoso. A poucos metros de distância, no Museu Amadeo de Souza-Cardoso, um septuagenário carioca com aura de lenda estreava-se em Portugal: Jards Macalé.

Mas o momento de maior simbolismo foi protagonizado por outro compatriota e colega de ofício, quando se viu Rodrigo Amarante a distribuir abraços a fãs a meio da ponte de São Gonçalo. Sobre o Tâmega também houve ação política: um movimento ambientalista passava a mensagem contra o projeto de construção de uma barragem no curso do rio. Nem tudo é música num festival como o MIMO.

E prova da importância para a região deste evento, o ministro da Economia Manuel Caldeira Cabral aproveitou a deslocação à cidade, na qual inaugurou uma start-up, para conhecer o festival, acompanhado do autarca e da organizadora, Lu Araújo.

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